Para Mart’nália, a música nunca foi um lugar de chegada. Ao longo da carreira, a cantora foi acumulando experiências, encontros e diferentes fases, construindo uma trajetória própria sem abandonar as raízes que a acompanham desde o início.
Filha de Martinho da Vila, Mart’nália também precisou encontrar seu próprio caminho na música. Essa identidade ganhou força a partir de Pé do Meu Samba, projeto que marcou um momento importante de sua relação com o palco e com a própria carreira.
Agora, ela leva essa história para o Rock in Rio, onde se apresenta no Palco Favela. Batemos um papo com a artista, que estava tomando uma caipirinha enquanto conversava com a gente. Mart’nália falou sobre sua evolução, a relação com o pai, a espontaneidade que mantém dentro e fora dos palcos, além do que prepara para o festival.
Olhando para o início da sua carreira e para a artista que você é hoje, o que mudou completamente na sua relação com a música e o que continua exatamente igual?
Nessa profissão, a gente vai seguindo e mudando constantemente. Vamos esbarrando em novas experiências, aprendendo e acumulando vivências ao longo do caminho. Agora, por exemplo, passei pela minha fase do pagode e estou vivendo uma fase com a Anitta. Essas possibilidades de encontros também são muito legais. A gente vai juntando bagagem e caminhando cada vez mais.
Você cresceu cercada por alguns dos maiores nomes da música brasileira. Em que momento sentiu que conseguiu sair do lugar de filha de Martinho da Vila e construir uma identidade que fosse realmente sua?
Acho que foi a partir de Pé do Meu Samba. Para quem não me conhece, eu já tinha feito mais de dois trabalhos, mas não era algo planejado. Nunca tive aquela coisa de pensar: “Vou ser cantora”. Fui me acostumando com o palco aos poucos. A partir de 2001, quando fiz Pé do Meu Samba, recebi o convite e o Caetano me chamou para dirigir o projeto. Foi quando comecei, de certa maneira, a sair da toca e ocupar esse espaço de forma mais própria.
Sua música sempre teve muita espontaneidade, humor e leveza. A personalidade que vemos no palco é muito diferente da Mart’nália quando as luzes se apagam?
Acho que, no dia a dia, eu me mexo menos. No palco, não consigo ficar muito parada. Na vida cotidiana, sou mais quieta, mais na minha. Mas, de certa forma, continuo sendo a mesma pessoa.
O Rock in Rio é um festival muito associado ao rock e ao pop. O que significa levar o samba e toda a sua história para um palco desse tamanho em 2026?
É muito legal. Agora vou fazer um show inteiro. Já fiz participações anteriormente, inclusive no Rock in Rio Lisboa, em Portugal.Também já havia participado de uma homenagem a Castro, ao lado de vários músicos e amigos que me convidaram para estar naquele momento.
Agora, no Palco Favela, sinto que o foco está ainda mais voltado para o Rio de Janeiro. É muito bacana poder levar o samba para um espaço como esse e, de certa forma, mostrar essa música para o mundo.


O Palco Favela tem justamente essa proposta de reunir diferentes manifestações e artistas. Como está sendo para você fazer parte desse encontro?
É o lugar de todo mundo. Para mim, está sendo muito bacana poder levar o samba para lá, misturá-lo com outras linguagens e fazer essa mistura acontecer ainda mais.
No dia da sua apresentação, estarão no festival nomes como Elton John e Luísa Sonza. Depois do seu show, quem você gostaria de assistir?
Quero muito assistir ao Elton John. É o meu aniversário! Vou querer aproveitar tudo o que puder. Quero ficar por lá, assistir aos shows, curtir bastante e aproveitar essa plateia tão diversa e esse ambiente tão gostoso.
E o que você está preparando para essa apresentação no Rock in Rio?
Vou misturar várias coisas. Estarei com a banda Jacaré. Somos pequenos, mas fazemos um barulho bom. Também vou levar um pouco desse projeto que estou terminando, que é o trabalho ao vivo, com referências ao pagode dos anos 1990. Já estou finalizando esse projeto e preparando um disco novo.
Ao mesmo tempo, vou apresentar as músicas que me trouxeram até aqui e que o público já conhece e gosta. Quero olhar para todo mundo e comemorar junto, estar junto e colocar o samba no Palco Favela, que também é um lugar para o samba.
Depois de tantos discos, encontros e apresentações, inclusive no Rock in Rio, o que ainda consegue dar aquele frio na barriga? O festival ainda provoca essa sensação?
Sempre existe uma expectativa muito grande. Quando esse frio na barriga não existir mais, acho que chegou a hora de parar. A gente não tem mais para onde ir quando deixa de sentir isso. Mas esse ofício não acaba enquanto ainda houver alguma coisa para oferecer. Enquanto existir algo para entregar, ainda podem surgir surpresas. Então, vamos em frente.
