O Olodum volta ao Rock in Rio para levar à Cidade do Rock a força da percussão baiana, do samba-reggae e de uma trajetória que há mais de quatro décadas ultrapassa os limites da música. Criado em Salvador, o grupo se tornou um dos principais símbolos da cultura afro-brasileira no mundo e construiu uma história marcada pela transformação social, pela valorização da identidade negra e por encontros com grandes nomes da música internacional.
Nesta edição do festival, o Olodum participa do show dos Gilsons, em uma apresentação que promete reunir diferentes gerações da música brasileira. Para o encontro, o grupo prepara clássicos de seu repertório e pretende levar ao público carioca a energia que marcou sua trajetória dentro e fora do Brasil.
Em entrevista, o Olodum falou sobre sua história, o impacto do samba-reggae, a importância de voltar ao Rock in Rio e os preparativos para a apresentação.
Como vocês enxergam o papel do Olodum na música e na transformação social atualmente, especialmente após mais de quatro décadas de história levando a cultura afro-brasileira para o mundo?
Nós enxergamos como um projeto que deu certo. Quando o Olodum foi fundado, estávamos em uma área onde as pessoas e a sociedade sofriam com a discriminação. O grupo foi criado inicialmente de uma forma mais ligada à diversão e ao Carnaval, mas, posteriormente, tornou-se também um movimento com forte posicionamento político.
A partir de 1983, começamos a ter uma influência política por meio da música, e as coisas foram mudando. Por isso, nos sentimos muito gratificados por ver que esse projeto deu certo e continua transformando vidas.
O que representa para vocês estar novamente no Rock in Rio, um festival dessa dimensão, levando toda a força da percussão baiana para um público tão diverso?
É uma honra. O Rock in Rio é um dos grandes festivais do mundo e já tem décadas de história. Para o Olodum, poder divulgar a música da Bahia em um festival dessa magnitude é motivo de muita honra e orgulho. Fazer parte dessa história também significa contribuir para que a música da Bahia continue se expandindo pelo Brasil e pelo mundo.

Vocês participarão do show do Gilsons. O que estão preparando para essa apresentação conjunta?
Na verdade, ainda precisamos definir alguns detalhes com o Gilsons. Devemos subir para o Rio de Janeiro alguns dias antes para ensaiar juntos e fechar o repertório. A ideia é montar um repertório que traga clássicos da música do Olodum ao longo desses 47 anos de história. Queremos apresentar músicas como “Avisá Lá”, “Meu Amor”, “Rosa”, “Berimbau” e “Requebra”. Vamos tentar sacudir o Rock in Rio.
O Olodum influenciou diversos artistas no Brasil e no exterior e ajudou a projetar o samba-reggae internacionalmente. Qual vocês acreditam ser o maior legado construído pelo grupo ao longo dos anos?
A primeira coisa é ter carinho pelo que você faz. Em 1983, nós não saímos simplesmente para o Carnaval. Reunimos uma diretoria e trouxemos pessoas para integrar o grupo. Naquela época, chegou Neguinho do Samba, que foi o criador do samba-reggae, e tudo começou a mudar. Até então, na Bahia, tocávamos de uma maneira muito semelhante às baterias do Rio de Janeiro. Com a chegada de Neguinho do Samba, o Olodum passou a tocar de uma forma diferente, e isso chamou a atenção das pessoas.
Também conseguimos levar cerca de 750 mil pessoas ao Central Park, em Nova York. Até hoje, esse é considerado um dos maiores públicos já registrados no local, embora atualmente existam novas estimativas que apontem para um número ainda maior.
A partir daí, outros grupos também ganharam projeção, e tivemos parcerias e encontros importantes. Um dos maiores exemplos foi Michael Jackson.
O Olodum tem uma carreira muito rica, marcada por momentos históricos e grandes parcerias. Como vocês conseguem manter a essência do grupo ao mesmo tempo em que dialogam com as novas gerações e com novos ritmos?
É preciso ter respeito e carinho pelo que você faz. Para manter uma tradição, é necessário ter cuidado, inclusive na escolha das músicas, para que a gente preserve aquilo que representa a nossa história.
Acredito que isso também chama a atenção das pessoas mais jovens. O Olodum mantém um profundo respeito pela musicalidade em sua essência, desde o momento em que os compositores criam uma música até o instante em que ela chega ao público, nas ruas e no Carnaval.
Para quem vai assistir ao Rock in Rio e a essa participação do Olodum, o que vocês querem transmitir? O que esperam que o público sinta durante essa apresentação conjunta?
Queremos que as pessoas sintam um pouco da energia do povo da Bahia, da nossa musicalidade e do swing baiano. Queremos que o público ouça com atenção e goste, assim como aconteceu em outros festivais pelos quais passamos.
Já tocamos em diversos lugares do mundo onde o idioma não era aquele que dominávamos, e, mesmo assim, as pessoas conseguiam dançar e cantar alguns trechos das músicas.
Afinal, temos uma música que até hoje está entre as mais tocadas no mundo, que é “Faraó”. Esperamos levar essa energia do povo da Bahia, a essência da musicalidade do Olodum e, mais uma vez, contagiar o público, desta vez, no Rock in Rio.
