No dia 12 de setembro, quando Mestrinho subir ao palco do Global Village, no Rock in Rio 2026, a sanfona que estará em suas mãos vai carregar uma história muito maior do que os minutos de apresentação. Ali estará o menino de Sergipe, o músico que encontrou no forró sua primeira linguagem e o artista que aprendeu a ampliar seus horizontes sem deixar para trás o lugar de onde veio.
O retorno ao festival acontece em um momento simbólico da carreira. Mestrinho já conhece a dimensão de tocar no Rock in Rio, mas agora olha para essa nova passagem por um dos maiores festivais do país com uma perspectiva diferente. Se, anos atrás, aquele palco parecia algo distante, hoje ele consegue enxergar a caminhada que o levou até lá.
“Pensando com um Mestrinho de cinco anos atrás, era inimaginável. Eu nunca imaginei estar no palco do Rock in Rio”, contou em entrevista ao Conexão Pop.
A frase parece simples, mas diz muito sobre o caminho percorrido. Porque antes dos grandes palcos existia uma sanfona. Antes dos festivais, existia Sergipe. E antes do reconhecimento, existia uma formação construída dentro da música nordestina.
É justamente essa história que Mestrinho faz questão de levar consigo. Nascido em Sergipe, o artista cresceu tendo o Nordeste como parte inseparável de sua identidade. As experiências vividas no estado, as referências musicais e a convivência com uma tradição que atravessou gerações ajudaram a formar não apenas o músico, mas a pessoa que ele se tornou.
E, mesmo quando sua música ganha novos contornos, essa origem continua aparecendo.
“Minha essência total está em tudo que eu vivi, em tudo que eu aprendi no meu estado, onde eu nasci”, afirmou.
Talvez seja essa uma das imagens mais bonitas para entender Mestrinho hoje: ele não precisou escolher entre modernizar sua música e preservar suas raízes. Escolheu fazer as duas coisas.
A sanfona, instrumento tão associado ao forró, passou a encontrar outros caminhos em suas mãos. Jazz, samba, bossa nova e diferentes referências entram nessa construção. O artista também já mostrou essa abertura em projetos que aproximam o forró de novas gerações e públicos, como “Dominguinho”.
Para Mestrinho, essa mistura não diminui sua identidade. Pelo contrário. É uma forma de fazer com que ela continue viva.
“O forró é um gênero muito acolhedor, muito receptivo. Ele me dá essa liberdade de poder trazer outros gêneros para ele e inovar de uma forma diferente”, explicou.
Foi assim que a sanfona deixou de ser apenas um símbolo de suas origens para se transformar também em uma ferramenta de descoberta.
Mestrinho não gosta de se enxergar somente como um sanfoneiro. Para ele, o instrumento é apenas uma parte de uma visão musical muito mais ampla.
“Eu não sou só um acordeonista, só um sanfoneiro. Eu me vejo como um visionário da música”, afirmou.
Essa liberdade ganha ainda mais força quando ele fala sobre o palco que o espera em setembro. O Global Village foi criado justamente para ampliar a diversidade musical do Rock in Rio e reunir diferentes manifestações culturais. Em 2026, o espaço recebe artistas de diferentes gerações e linguagens.
É nesse cenário que Mestrinho reencontra o festival. E, para ele, o significado dessa volta ultrapassa qualquer conquista individual.
Ser o primeiro sanfoneiro a realizar um show solo no Rock in Rio, segundo o próprio artista, já colocou seu nome em uma página importante da história do festival. Agora, ao retornar, ele prefere dividir esse reconhecimento com quem ajudou a construir a música nordestina.
“É um grande feito para a música nordestina, para o povo nordestino, para todas as pessoas que são meus conterrâneos e lutam pela música”, disse.
Por isso, talvez a melhor maneira de entender o retorno de Mestrinho ao Rock in Rio seja imaginar que ele não estará chegando sozinho.
Com ele estarão Luiz Gonzaga e Dominguinhos, referências que ajudaram a moldar sua relação com a sanfona. Estará Sergipe. Estará o Nordeste. Estarão os artistas que continuam encontrando maneiras de manter o forró vivo e, principalmente, estarão as pessoas que reconhecem na música uma parte da própria história.
Mas existe ainda outra coisa que Mestrinho quer levar para a Cidade do Rock: emoção.
Mais do que impressionar pela técnica ou mostrar até onde a sanfona pode chegar, o artista quer que alguém saia daquele show carregando uma lembrança.
“Eu quero que eles sintam algo profundo, único”, revelou.
A vontade é que uma música possa acompanhar alguém mesmo depois que as luzes do festival se apaguem. Que, em um dia difícil, aquela pessoa consiga voltar mentalmente para o momento em que esteve diante do palco e lembrar de como se sentiu.
“Às vezes vai passar por alguma dificuldade, aí lembra: ‘Poxa, aquele show, aquele dia, eu já fui tão feliz na vida e posso ser feliz de novo’”, contou.
É aí que o Rock in Rio deixa de ser apenas um destino profissional na trajetória de Mestrinho e passa a fazer parte de algo maior: a missão que ele próprio atribui à música.
Para o artista, tocar é também uma maneira de conectar pessoas, provocar sentimentos e deixar alguma coisa no outro.
No dia 12 de setembro, no Global Village, o público poderá assistir a esse encontro entre tradição e contemporaneidade. A música que nasceu em Sergipe encontra a diversidade do Rock in Rio, e Mestrinho transforma o próprio retorno em uma oportunidade de mostrar que preservar uma raiz não significa ficar parado nela.
SERVIÇO
Evento: Rock in Rio 2026
Artista: Mestrinho
Data: 12 de setembro de 2026
Palco: Global Village
Local: Cidade do Rock, Rio de Janeiro
