Se você navegou pelo TikTok ou Instagram nos últimos dias, provavelmente já ouviu a faixa “São Paulo”, interpretada pela fictícia Tocanna. A música, que viralizou com o refrão “Na cidade de São Paulooooooooo”, é uma releitura sertaneja, feita com inteligência artificial do hit “Empire State of Mind” (2009), de Jay-Z e Alicia Keys. Criada para parecer uma cantora de sertanejo com bico de tucano.
Esse cenário tem pressionado plataformas de streaming a rever suas regras. O Spotify, maior serviço do setor, anunciou nesta quinta-feira (25) novas medidas para dar mais clareza ao uso de IA em canções e coibir abusos. Entre elas está a recomendação de que artistas e produtores adotem um padrão criado pela DDEX, uma organização profissional que desenvolveu um modelo para indicar se uma faixa foi composta totalmente, parcialmente ou sem auxílio de IA.
Segundo a empresa, essas informações passarão a ser exibidas no próprio aplicativo assim que os metadados forem integrados. “Antes as pessoas viam a IA como algo binário está presente ou não , mas ela é usada em várias etapas do processo criativo”, disse Charlie Hellman, executivo do Spotify, durante a apresentação das mudanças.
O movimento vem num momento em que deepfakes e faixas “spam” multiplicam-se. De acordo com a companhia, mais de 75 milhões de músicas geradas por IA e consideradas de baixa qualidade foram removidas da plataforma no último ano. Ao mesmo tempo, exemplos como o grupo The Velvet Sundown, inteiramente gerado por IA, mostram que há público para esse tipo de produção uma de suas canções já superou 3 milhões de streams no Spotify.
As novas regras, no entanto, não pretendem “punir” o uso legítimo de IA, mas garantir transparência e proteger artistas de clonagem não autorizada. Para isso, a plataforma trabalha em filtros de spam, revisão mais rápida de perfis suspeitos e inclusão de créditos específicos para IA nos campos autorais. Mais de 15 gravadoras e distribuidoras já aderiram ao padrão da DDEX, e o Spotify afirma que seguirá investindo em recursos para proteger identidades e dar mais clareza ao público.
