O primeiro Daisy Chain Fields aconteceu no último sábado (29), no Great Park, em Irvine, na Califórnia, transformando a ideia de Olivia Rodrigo em um festival de música com line-up inteiramente feminino, convidados especiais e uma grande arrecadação para instituições que apoiam mulheres e meninas.
Cerca de 45 mil pessoas compareceram ao evento, que reuniu 14 atrações em dois palcos. A programação foi dividida entre os palcos Marigold e Dandelion de uma forma que evitou conflitos de horários. Os shows aconteciam alternadamente, com intervalos de cerca de dez minutos, possibilitando que o público acompanhasse todas as apresentações.
A proposta do Daisy Chain Fields, que é celebrar as mulheres na música e arrecadar fundos para causas feministas e beneficentes, estava presente em toda a estrutura do festival. Flores tomaram conta do espaço, enquanto empresas comandadas por mulheres eram identificadas com símbolos especiais. O evento ainda contou com experiências interativas, ativações, espaços de organizações sociais e um parque temático visualmente inspirado no universo de Olivia Rodrigo.
O calor intenso foi um dos principais desafios do dia. Com temperaturas próximas dos 35°C, o público buscou sombra durante as primeiras horas do festival, enquanto artistas como Mitski e Doechii incentivavam os fãs a se hidratarem e usarem protetor solar. Fãs compartilharam nas redes sociais que a produção distribuiu água e toalhas de resfriamento para aliviar a sensação de calor.
Apesar das condições climáticas, a recepção ao evento foi positiva. Uma fã resumiu a experiência ao USA Today: “Tudo aqui foi realmente muito bem pensado. Eu gosto muito da paleta de cores. Dá para perceber que Olivia Rodrigo e sua equipe colocaram muito esforço e tempo no planejamento de tudo, e isso fica evidente.”
Chappell Roan, Doechii e uma programação sem intervalos vazios
A programação reuniu artistas de diferentes gerações e estilos, passando pelo pop, hip-hop, rock alternativo e punk. Quiet Light, Rachel Chinouriri, Die Spitz, Bikini Kill, The Breeders, Garbage e Not For Radio se apresentaram no palco Marigold, enquanto Eli, Santigold, Devon Again, Mitski, Doechii, Chappell Roan e Olivia Rodrigo ficaram no Dandelion.
Doechii foi um dos destaques da programação ao subir ao palco coberta por pintura corporal rosa. A rapper apresentou faixas como “XL”, colaboração com Jennie, do BLACKPINK, e encerrou o show com “Denial Is a River”.
Ao se despedir, a artista celebrou o propósito do festival: “Nós fazemos isso pelas mulheres. Nós fazemos isso pelos gays. Nós fazemos isso pelas mulheres trans.”
Chappell Roan também levou uma multidão ao palco principal. Em um show de 40 minutos, a cantora apostou nos maiores sucessos da carreira, abrindo com “Super Graphic Ultra Modern Girl” e colocando o público para reproduzir a coreografia de “HOT TO GO!”, depois, fechou com “Pink Pony Club”.
Durante a apresentação do Garbage, Shirley Manson destacou a importância de participar de um festival como o Daisy Chain Fields e elogiou Olivia Rodrigo por “mobilizar toda uma geração de mulheres para se levantarem por nós mesmas, acreditarem em nós mesmas e não aceitarem o status quo”.
A cantora continuou: “Demos alguns passos para trás ultimamente. Não vamos tolerar isso, então uma noite como esta é muito importante para todas nós, mulheres, inclusive para mim, para fazer parte desta corrente de margaridas e de uma corrente que ficará com vocês pelo resto da vida.”
Olivia Rodrigo transforma o palco em encontro de gerações
Antes de iniciar seu show, Olivia Rodrigo revelou que o Daisy Chain Fields havia arrecadado US$ 10 milhões para dez organizações voltadas ao apoio de mulheres e meninas. A cantora, porém, tinha mais uma surpresa para o público. Melinda French Gates subiu ao palco e anunciou que dobraria a quantia, elevando o valor total da arrecadação para US$ 20 milhões.
As instituições beneficiadas atuam em áreas como direitos reprodutivos, saúde materna, empoderamento econômico, prevenção à violência doméstica e igualdade de gênero.
Olivia começou o show de uma hora e vinte minutos com “Drop Dead”. O repertório também combinou sucessos de diferentes fases da carreira e músicas do álbum You Seem Pretty Sad for a Girl So in Love.
A primeira convidada especial foi Sarah McLachlan, criadora do Lilith Fair, festival que serviu como uma das inspirações para o Daisy Chain Fields. Juntas, elas apresentaram “Building a Mystery” e “Angel”, esta última dedicada a Dolly Parton. Uma imagem da cantora country foi exibida nos telões após a apresentação.
Mais tarde, Olivia recebeu Alanis Morissette para cantar “Ironic”. A participação aconteceu após Karen O, do Yeah Yeah Yeahs, precisar cancelar sua presença no festival por uma emergência familiar.
O encerramento ficou reservado para Stevie Nicks, que subiu ao palco para cantar “Landslide”, clássico do Fleetwood Mac, ao lado de Olivia.
Após a apresentação, Stevie Nicks fez um discurso em homenagem à criadora do festival: “Apoiem ela. Venham e façam parte das iniciativas dela pelos direitos das mulheres, todos nós vamos. Ela é muito especial. Guardem-na no coração. Eu guardei.”
Daisy Chain Fields deve voltar em 2027
A possibilidade de uma segunda edição foi defendida ao longo de todo o dia por artistas e pelo público. Mitski chegou a comentar no palco que gostaria que o Daisy Chain Fields se tornasse um evento anual, acrescentando: “Sem pressionar a Olivia.”
Olivia, por sua vez, parece já ter tomado uma decisão. Ao encerrar a noite, a cantora confirmou ao público que pretende repetir o festival.
“Muito obrigada. Boa noite, e vejo vocês no próximo ano!”, gritou Olivia Rodrigo.
Com uma estreia que reuniu cerca de 45 mil pessoas, grandes nomes da música e US$ 20 milhões destinados a instituições sociais, o Daisy Chain Fields terminou deixando claro que o festival pode se tornar um novo espaço permanente no calendário de eventos musicais dos Estados Unidos.
