Hazel Eyes prova que Sam Smith encontrou o equilíbrio perfeito entre a grandiosidade vocal e a vulnerabilidade pura. O disco já abre estabelecendo um clima intimista: os arranjos começam bem acústicos, apostando forte no violão e deixando a voz limpa, crua e em primeiro plano antes de qualquer explosão instrumental.
Em “Everlasting Love”, essa escolha brilha logo de cara. A faixa abre caminho com dedilhados suaves, criando uma atmosfera aconchegante que lembra suas faixas antigas até o coro gospel entrar e elevar a dinâmica da canção de forma leve

Logo na sequência, “Moondance” (com a Feist) muda o nível da produção com uma pegada extremamente sensual e elegante. É aquele tipo de dueto que não tenta disputar espaço: as vozes se entrelaçam de forma sussurrada enquanto guitarras distorcidas e sonoridade discreta constroem uma tensão envolvente do início ao fim. Tem absolutamente tudo para virar a grande favorita dos fãs nas redes e nos shows.
Entre os destaques mais confessionais, “Thief” se impõe pela intensidade emocional. A faixa capta com precisão o peso da solidão urbana na madrugada nova-iorquina, com uma pegada de baixo bem marcante, letra direta e uma interpretação vocal que transmite toda a angústia sem precisar soar apelativa.
O trabalho ainda passeia pelo pop da faixa-título “Hazel Eyes”, pelo drama gospel afiado de “Oh Mother” e pelo minimalismo quase cru de “When He’s Gone” (gravada ao vivo pela banda, sem metrônomo, transparecendo cada respiração).
No fim, o projeto soa como um abraço quente e sincero. Longe de fórmulas pré-fabricadas, Sam Smith entrega um dos trabalhos mais maduros, coesos e apaixonantes da carreira.
Favoritas do álbum:
- “Moondance” (sexy, sofisticada e envolvente)
- “Thief” (intensa, crua e dolorosamente identificável)
Nota: ★★★★½ (4,5/5).
