Na última terça-feira (15/09), FINNEAS, Aaron Rowe, Lukas Graham e a banda Beoga anunciaram a saída da turnê Loop, de Ed Sheeran, após Macklemore ser retirado da programação dos shows nos Estados Unidos. A decisão ocorreu depois de manifestações do rapper em apoio à Palestina durante apresentações no MetLife Stadium, em Nova Jersey.
Macklemore publicou um comunicado na segunda-feira (14/09) sobre sua saída. No texto, o rapper afirmou: “Antes de começar, quero dizer algo que deveria ser óbvio. Neste momento, acho que isso importa. Eu não sou uma vítima”.
Em seguida, Macklemore escreveu: “Temos carreiras, dinheiro, oportunidades, segurança e público no mundo todo. Quaisquer que sejam as consequências que enfrentemos pelo que dizemos, podemos voltar para casa e para nossas famílias. As vítimas são os palestinos.”
Ed Sheeran afirmou que a decisão não partiu diretamente do cantor. Segundo a manifestação publicada pelo artista, a promotora Messina Touring Group tomou a decisão após receber informações dos locais que receberiam as próximas apresentações. O cantor também declarou: “Não sou cúmplice. Tenho minhas visões pessoais sobre esse conflito devastador. Só porque eu escolho não falar publicamente, não significa que eu não as tenho, e não significa que eu não me importe”.
Artistas anunciam saída da turnê
Finneas, Aaron Rowe, Lukas Graham e Beoga comunicaram a saída da tour. Com as mudanças, a turnê ficou sem as atrações que acompanhariam Ed em diferentes etapas. Finneas estava previsto para abrir os shows de São Paulo nos dias 5 e 6 de dezembro. Beoga também participaria de partes do repertório do cantor britânico com elementos da música tradicional irlandesa.
Finneas declarou: “Artistas não devem ser silenciados por se manifestar contra a opressão”.
Lukas Graham afirmou: “Deveríamos poder falar sobre guerra, sobre civis sendo mortos, sobre crianças que merecem crescer. Onde quer que vivam. Qualquer que seja a sua bandeira”.
Aaron Rowe escreveu: “Como irlandeses, conhecemos bem até demais genocídio, fome forçada e ocupação violenta”.
A banda Beoga publicou: “Somos irlandeses que entendem colonialismo. Como membros fundadores do movimento Artistas Irlandeses pela Palestina, somos ativistas com compromisso pela justiça e continuaremos a ser”.
Até a publicação do material, Sheeran não tinha se pronunciado sobre a saída dos demais artistas. Posteriormente, o cantor afirmou que tentou encontrar uma solução para manter Macklemore na programação, mas não conseguiu chegar a um acordo com os locais.
Críticas e manifestações de apoio
O ator Javier Bardem utilizou o Instagram para defender um boicote aos shows de Sheeran e criticou a justificativa de manter a turnê distante de manifestações políticas.
A cantora Pink também publicou uma manifestação relacionada ao caso. Depois de receber críticas pela primeira postagem, Pink escreveu: “Nunca pedi que outro artista fosse silenciado e não estou pedindo agora. Não preciso que ninguém seja demitido, e não preciso de reembolso. O que eu preciso é poder dizer, como mãe judia, que aquilo me assustou, e assustou pessoas que amo.”
Robert Kraft, proprietário do Gillette Stadium, confirmou que o estádio não permitiria a participação de Macklemore nos shows previstos para o local. Kraft justificou a decisão mencionando declarações recentes do rapper e um histórico que, segundo Kraft, inclui “retórica e imagens antissemitas”.
Kraft declarou: “Esta decisão é resultado de seus comentários [Macklemore] e de um histórico mais amplo de retórica e imagens antissemitas que consideramos profundamente ofensivas e prejudiciais à comunidade judaica.”
Como começou a situação
A sequência de acontecimentos começou em 4 de setembro, durante uma apresentação de Macklemore no MetLife Stadium, em Nova Jersey. O rapper gritou “Free Palestine” e afirmou que pessoas na Faixa de Gaza e na Cisjordânia não tinham sido esquecidas.
Após as manifestações, o Conselho Israelense-Americano publicou uma petição pela retirada do rapper da turnê. A Messina Touring Group, responsável pela etapa norte-americana da Loop Tour, informou que Macklemore não participaria das datas restantes.
A promotora declarou: “Como promotora da turnê ‘Loop’ de Ed Sheeran nos Estados Unidos, fomos informados pelos locais que sediarão as próximas datas da turnê de que eles não permitirão a realização dos shows com Macklemore no line-up. Isso resultaria no cancelamento da turnê e impactaria centenas de milhares de fãs. Após discussões com as partes envolvidas, Macklemore não se apresentará nas datas restantes como atração de apoio.”
Macklemore estava escalado para oito dos dez shows restantes da etapa norte-americana, que teria continuidade em 19 de setembro, na Filadélfia. Entre os locais que, segundo as informações divulgadas, não aceitariam a presença do rapper estavam estádios em Boston, Atlanta, Charlotte, Indianápolis, Dallas e Tampa.
A situação também passou a envolver diferentes posicionamentos sobre a guerra em Gaza. Uma comissão de investigação da Organização das Nações Unidas afirmou em junho que ações israelenses na Faixa de Gaza configuravam genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra. Israel e seus aliados rejeitaram essas acusações.
Segundo o relatório citado no material original, cerca de 30% das 73 mil mortes contabilizadas na guerra em Gaza correspondiam a crianças, número superior a 20 mil pessoas.
