O 5 Seconds of Summer iniciou a turnê Everyone’s A Star! no Brasil na noite da última sexta-feira (18). Os australianos Luke Hemmings, Michael Clifford, Calum Hood e Ashton Irwin se apresentaram no Suhai Music Hall, em São Paulo.
O show faz parte da promoção do álbum Everyone’s A Star!. Lançado em novembro de 2025, o disco resgata, na raiz, a essência pop rock do grupo, com marcas fortes de guitarra, bateria e até sintetizadores em algumas canções.
O 5 Seconds of Summer iniciou sua trajetória em 2012 e passou a ser conhecido quando abriu os shows da Take Me Home Tour, segunda turnê do One Direction. As apresentações aconteceram nos Estados Unidos, Austrália, Reino Unido, entre outros países. Os australianos também foram convidados para a abertura da turnê mundial Where We Are, que aconteceu em 2014.
Foi justamente em 2014 que os australianos se firmaram com o lançamento do single “She Looks So Perfect” e, em seguida, “Amnesia”. As duas fazem parte do álbum 5 Seconds of Summer.
Essa trajetória esteve presente no show em São Paulo, inclusive com algumas alfinetadas sobre o espaço que a banda ocupa no cenário da música e, principalmente, entre as “boybands”. Por muito tempo, o grupo tentou se desvincular desse rótulo, associado a músicas pop e coreografias.
Apesar de não seguir a cartilha original, o 5 Seconds of Summer é a boyband favorita de muita gente e, no show de São Paulo, mostrou por que ainda é muito amado por uma legião de fãs. A banda entendeu o seu público e construiu a apresentação para quem está com eles desde o início da carreira.
Com um espetáculo muito bem amarrado, o grupo resgatou a história da banda em seis atos, com canções que conversam muito bem entre si. A primeira parte é o “Ato I — O Pico”, que mostra como eles se tornaram “a maior boyband de todos os tempos”. Os músicos entraram no palco com a energia lá em cima ao som de “Not Ok”, canção do novo álbum, que ainda ganhou um remix com funk. Os fãs logo foram à loucura e mostraram como a noite seria animada.
O ato ainda tem “Obsession” e “Teeth”, justamente canções mais rock do grupo. Os fãs acompanharam o 5SOS em coro durante o show inteiro, e os integrantes conduziram um verdadeiro karaokê coletivo ao longo das duas horas de apresentação.
“Ato II — A Queda” teve início com um vídeo em estilo documentário em que os integrantes do 5SOS falaram individualmente sobre o próprio sucesso, incluindo um sarcasmo de Luke Hemmings comparando a trajetória da banda com a dos Beatles;
O segundo ato é o mais potente musicalmente e também mistura duas eras do 5SOS, que conversam muito bem entre si. A sequência começou com uma transição entre “Easier” e “More”. “No Shame” vieram na sequência, seguida por “She’s Kinda Hot”, um dos sucessos da carreira dos australianos. Depois, o grupo emendou com “Boyband”, “Telephone Busy” e “Evolve”, canções do Everyone’s A Star!.
Antes da performance de “Boyband”, o grupo continuou as interações com a plateia em mais um capítulo da história da noite. Os integrantes “receberam” o prêmio de “melhor boyband do ano”, com direito até a um “discurso”.
No mesmo ato, o 5SOS separou um momento para conversar diretamente com os fãs. Eles exibiram o “Como Se Tornar Uma Estrela em São Paulo”, uma espécie de guia cultural da cidade e do país. A banda citou as Havaianas, o famoso pão com mortadela e ainda mencionou o jogador de futebol Neymar, gerando uma vaia da plateia. Surpresos com a reação, os músicos perguntaram ao público se não gostavam do atleta.
O amor ao Brasil também esteve presente no discurso do vocalista Luke durante o show. “Começamos essa banda há 15 anos atrás e nunca poderíamos sonhar que estaríamos aqui em São Paulo depois de todo esse tempo para tocar pra 8 mil pessoas. Obrigado por tudo, amamos muito vocês”, disse.
Seguindo a história, o “Ato III — O Anseio” foi separado para mostrar o “show de estrelismo” de uma banda. Apesar da premissa, essa parte foi marcada por canções mais lentas, como “Bad Omens” e “Ghost of You”, que, inclusive, foi iluminada pelas luzes dos celulares ao longo da performance.
Como acontece com muitas boybands, uma hora elas acabam ou se separam. O momento também foi relembrado pelo 5SOS, que introduziu a história da separação antes de um momento reservado para as canções solo. Diferentemente de outros grupos, os projetos individuais ajudaram os australianos a permanecerem juntos, sem pausas ou indícios de separação.
Luke Hemmings, Michael Clifford, Calum Hood e Ashton Irwin apresentam, individualmente, uma música de seus projetos: “Starting Line”, “enough”, “Have U Found What Ur Looking For?” e “Don’t Forget You Love Me” foram as escolhidas, respectivamente.
Os atos IV e V, “A Ascensão” e “O Começo”, foram uma espécie de nostalgia para os fãs no Suhai. Os músicos escolheram canções antigas que marcaram o momento de auge do 5SOS. Eles cantaram, na sequência, “Amnesia”, “English Love Affair”, “Voodoo Doll”, “Don’t Stop”, “Jet Black Heart” e “She Looks So Perfect”, o hit global do grupo. Os fãs acompanharam cada letra, cantando alto e gritando.
A dinâmica de uma música surpresa também colocou os fãs dentro do show. Por meio de um QR Code, eles puderam escolher uma canção, e “You Don’t Go to Parties” foi selecionada como a “música secreta”.
Com o “Ato VI — O Retorno”, mais uma vez o 5SOS contrastou dois momentos da carreira. O grupo apresentou uma canção do novo disco, que dá nome ao álbum, e encerrou o show com “Youngblood”, outro sucesso.
Com 15 anos de história, o 5 Seconds of Summer entendeu qual é o seu público e o que ele espera de uma apresentação. Sem reinventar a roda, o grupo apostou em uma construção de espetáculo que conversa diretamente com seus fãs, relembrando o passado e apresentando o presente.
Em São Paulo, os australianos mostraram que ainda sabem como transformar essa relação em um grande encontro com o público e, enquanto continuarem fazendo isso, devem permanecer como a boyband favorita de uma legião de fãs por muito tempo.
