Nem sempre temos a chance de vivenciar certos shows, talvez porque alguns artistas ainda estão em ascensão e precisam de mais reconhecimento para chegar à América Latina. Outros, principalmente os nacionais independentes, carecem de grandes investidores para entrar no mainstream e levar ao público seus concertos bem produzidos, com coreografias ensaiadas e equipes numerosas.

Mas tudo se torna mais possível quando existem festivais como o Zig Festival. Em sua segunda edição, o evento (que estreou em 2024 no Sonora Garden) desta vez ocupou a Fabriketa, no Brás, em São Paulo. Foram três palcos e 12 horas de música sem pausa, reunindo artistas da cena underground e independente de várias regiões do país e também nomes internacionais.
Abrir uma pista é muito complicado, mas nada que seja impossível para a dupla Cyberkills, comandada por Rodrigo e Gabriel. Ambos são experientes em produções e curadoria musical, trazendo grandes hits que já animaram imediatamente o público que estava chegando no festival.
Entre os destaques de fora estava a cantora Rose Gray, que conquistou o coração do público brasileiro com seu álbum de estreia “Louder, Please”. Em fase de divulgação da versão deluxe, que traz uma parceria com a DJ brasileira Clementaum (também presente no line-up), Rose apresentou sucessos como “Party People” e “Just Two”, além de faixas novas como “April”, “I Don’t Speak French” e “Lotus”. Um dos momentos mais marcantes foi o mash-up de “God Is a DJ” com “Music”, de Madonna, que levou o público ao delírio. A cantora chegou a pular na plateia e cantar caminhando entre os fãs.
Bree Runway levou os fãs à loucura com seus maiores hits. Envolta na bandeira do Brasil, a cantora demonstrou emoção em diversos momentos com o carinho do público e parecia se divertir o tempo todo no palco.
Outro grande momento foi o show do grupo Katy da Voz e As Abusadas, que incendiou o palco com o novo álbum “A Visita”, lançado no final de outubro. Com coreografias precisas, energia constante e uma performance arrebatadora, Katy da Voz atraiu uma multidão mesmo se apresentando em um horário mais cedo que o habitual. Mais uma vez, a artista se firmou como um dos maiores destaques do festival.
Um dos shows mais decepcionantes foi da cantora Cobrah, que parecia a todo momento não estar cantando e sim dublando suas próprias canções, o som parecia baixo mesmo nos momentos que a cantora parecia estar gritando com a plateia e em momentos quando ela se comunicava, o som parecia mais alto, o que dava a impressão de ser playback.

Duda Beat trouxe uma nova energia com o projeto “Club Tara”. Em um repertório de 20 músicas, emocionou o público com faixas como “Que Prazer” e canções do álbum “Esse Delírio – Vol. 1”. A cantora subiu ao palco acompanhada de dançarinas da turnê “Tara e Tal”, deixando de lado o repertório mais melancólico para apostar em uma performance vibrante e cheia de carisma.
Com um show inédito, Isma, ex-integrante da dupla Irmãs de Pau, apresentou “Made in Cohab”, nome que deve batizar também seu primeiro álbum solo. Apesar de um leve nervosismo pela estreia, a cantora foi muito bem recebida pelo público, que acompanhou tudo com entusiasmo.
Em outro ambiente, a pista duplex reuniu DJs renomados e participações especiais como Mia Badgyal, que vem promovendo o novo trabalho “Mucho Sexy”, Getúlio Abelha, com hits como “Voguebike”, e Frimes, que apresentou com exclusividade seu novo single.
Festival também é conhecido por abraçar a diversidade
O Zig Festival se destacou também por abraçar a diversidade e valorizar pautas LGBTQIA+ em tempos de desafios no financiamento e apoio a projetos culturais. Realizar um evento desse porte é uma grande conquista e a prova disso foi o sucesso de público, com mais de 95% dos ingressos esgotados.
Vale ressaltar a importância de valorizar culturas, principalmente a cultura ballroom, e mesmo que tenha sido apenas 15 minutos, a House of Zyon entregou “cunt” e chant on point durante seu set, e o público assim como eu devem até agora saber soletrar Zyon corretamente.
Em uma das pistas acontecia a festa Kevin, que contou com um repertório refinado, som de qualidade e um espaço mais reservado para quem buscava uma experiência mais ousada. A proposta celebra a liberdade e a sexualidade, e a curadoria impecável fez com que o público elogiasse cada detalhe.
Com esta segunda edição, o Zig Festival se consolida como um dos eventos mais marcantes de São Paulo. Apesar de pequenos ajustes que podem ser feitos nas próximas edições, é incrível ver tanta gente apoiando artistas fora do mainstream e ajudando a criar um espaço seguro, diverso e cheio de energia.
