Viviane Batidão continua mostrando que o Pará pulsa forte na nova música brasileira. Nesta quinta-feira (10), a artista lança “Covarde”, terceiro single do aguardado álbum “É Sal”. A faixa, em parceria com Suanny, fala de um tema que muita gente conhece de perto: amar sozinho.
Conhecida inicialmente como vocalista da banda Batidão, Viviane seguiu carreira solo em 2009 e se firmou como uma das grandes representantes da cultura musical do Norte do país. Sua trajetória é marcada por sucessos que viralizaram nas aparelhagens e festas populares do Pará.
Após anos em projetos ao vivo, a artista está prestes a lançar seu primeiro álbum de estúdio e conversamos um pouco sobre o novo single, representatividade e o projeto.
“Covarde” é uma música intensa. Tem algo de pessoal nela?
“Covarde” não é uma composição minha, mas me identifiquei demais com a letra e com a melodia romântica. Ela tem pegada, é muito envolvente. Pensei em todas às vezes que a gente se cala diante da dor, quando a dependência emocional, e até carnal, nos cega, fazendo a gente insistir em um relacionamento que só existe na nossa cabeça. Mas ó: no clipe, fizemos um final diferente, onde a gente se desprende e segue a vida sem o tal do covarde.
A música traz uma batida envolvente e forte do brega e do batidão. Como você vê a evolução desses ritmos no cenário nacional? Eles estão ganhando o espaço que merecem?
O brega e o batidão são ritmos muito presentes na cultura paraense, na verdade, o batidão é o tecnomelody que é uma vertente do gênero musical matriz, o nosso brega paraense, que aliás! Belém ganhou o título de capital mundial do brega, tudo começou aqui. Eles estão evoluindo, se reinventando e finalmente ganhando mais respeito fora do Norte.
Mas ainda há um caminho longo. A gente quer ocupar rádio, TV, festival, premiação, e com qualidade. Esses ritmos têm o poder de contar histórias reais e de colocar todo mundo para dançar, além de carregar a cultura de um povo que trabalha com esse ritmo há décadas, e sim, é muito maravilhoso! Quem vive a experiência de está em um show de banda de tecnomelody ou um festival com aparelhagens que são os sound system mais antigos do Brasil, nunca esquece e entendem a força da música produzida na Amazônia.

A parceria com Suanny Batidão é muito poderosa: duas vozes femininas que representam a força da música paraense. Como surgiu esse encontro?
A parceria com Suanny foi natural. A gente já se admirava há tempos, e quando “Covarde” apareceu, sabíamos que era o momento certo. Duas mulheres do Norte, Batidões, falando de sentimentos intensos, né? Era pra ser. E foi lindo ver como nossas vozes se completaram e o clipe ficou incrível, lá conseguimos dar mais vida a história da música.
O refrão de “Covarde” tem tudo para viralizar. Vocês pensaram nisso desde o começo? Já imaginaram o hit explodindo nos challenges das redes sociais?
A gente sentia que o refrão tinha força, sim. Mas o que mais importava era que ele fosse verdadeiro. Quando uma música vem de dentro, as pessoas sentem. E se viralizar, que seja porque ela tocou de verdade, sabe?
Falando de representatividade: o que significa pra você, como mulher e artista nortista, lançar uma faixa como essa hoje?
“Covarde” fala sobre a dor de uma mulher que se entrega inteira enquanto o outro já está dividido, pensando em outra pessoa. Lançar essa música hoje é dar voz a quem sofre em silêncio, mostrar essa realidade de forma verdadeira e sem romantizar a situação. Como mulher, sinto que é importante trazer essas histórias para o nosso lugar, mostrando força na vulnerabilidade e empoderamento mesmo diante da dor.
“É Sal” marca a abertura de um novo ciclo e também o seu primeiro álbum de estúdio. O que podemos esperar desse projeto como um todo?
O álbum “É Sal” é o início de uma nova fase na minha carreira. Vai ter tecnomelody, claro, mas também vai ter participações com artistas que admiro muito. É o meu primeiro álbum de estúdio, e estou colocando minha alma em cada faixa.
Para quem está te conhecendo agora fora da região Norte, como você gosta de se apresentar? Quem é Viviane Batidão em uma frase?
Para quem está me conhecendo agora fora do Norte, gosto de me apresentar como uma artista que traz o som e a cultura do Pará com autenticidade, sabe?
E pra fechar: entre “Covarde” e “É Sal”, qual dessas duas fases te representa mais neste momento da vida?
As duas músicas representam momentos importantes da minha vida e da minha carreira. “É Sal” marca o início de um novo ciclo, o single tem muito da minha essência, traz referências únicas da minha história como Viviane Batidão, além de no clipe de “É Sal” eu ter colocado todos os meus vizinhos e familiares, por justamente mostrar de onde eu vim, mas tbm onde pretendo chegar. “É Sal” é meu primeiro álbum de estúdio, que traz uma fase de renovação e amadurecimento. Já “Covarde” faz parte desse processo também. Então, vejo as duas como complementares, cada uma mostrando um lado diferente dessa minha trajetória.
