Toy Story não é uma franquia qualquer. A sequência marcou a vida de crianças que hoje já têm filhos. Um novo filme da série não é apenas mais uma animação da Disney Pixar. O primeiro filme, de 1995, foi pioneiro em seu estilo de animação computadorizada. O roteiro apresentava conflitos e resoluções rápidas, criando as bases daquele universo e trazendo ao mundo o bromance famoso de Woody e Buzz.
Toy Story 2, de 1999, expandiu o mundo dos brinquedos e deu vez a dilemas mais profundos, especialmente através de Jessie, personagem que encontrou o equilíbrio perfeito entre humor e emoção. Agora, em Toy Story 5, vemos uma atualização da problemática apresentada lá no primeiro filme, em 1995.
A trama central
O primeiro filme, que tratava de uma “guerra” entre brinquedos mais antigos e mais modernos, era atual para o momento. No entanto, o novo capítulo toca em feridas muito mais profundas da modernidade: solidão, amizades virtuais, alienação e o crescente tempo de tela. E tais assuntos afetam crianças e adultos.
A tecnologia no filme é representada pelo personagem Lilypad, um tablet em formato de vitória-régia que assume papel central e fundamental no desenvolvimento da trama. Bonnie, a dona dos brinquedos, está crescendo e se vê passando por questionamentos com os quais todos podemos nos identificar. Os conflitos apresentados têm raízes em acontecimentos extremamente atuais, o que dá ao filme uma identidade própria e relevante. Não parece que estamos assistindo a uma mera continuação.
E mais importante: a história não depende dos capítulos anteriores para funcionar. O mesmo não acontece com o spin-off Lightyear (2022), que se escora em diversas referências e bastante nostalgia. Toy Story 5 brilha por si só.
Os personagens
Os personagens também se destacam. Há personagens principais fortes e imponentes, mas sem deixar de lado o equilíbrio de um filme que é, em seu cerne, uma animação leve. O público alterna entre emoção e humor, acompanhado por discretas, mas boas pitadas de crítica social.
Há muito carisma em novos personagens apresentados ao mundo da Bonnie. Da mesma forma, somos reintroduzidos a alguns velhos conhecidos que não víamos há algum tempo. Foi bom, como fã da série, ter tido um novo olhar sobre acontecimentos narrados, originalmente, nos primeiros filmes. Tudo isso contribui para que a 1 hora e 40 minutos de filme passem rapidamente. Talvez rápido demais.
Quem sai da sessão pode ter a sensação de que alguns arcos temáticos secundários mereciam uns dez minutinhos adicionais para serem desenvolvidos com mais profundidade. Além disso, há pouca — ou quase nenhuma — participação de alguns personagens icônicos da franquia. Para uma série tão simbólica, ausências acabam sendo sentidas.
A animação
No quesito animação, a Pixar (de novo) não decepciona. Desde Toy Story 4 já era visível a evolução na técnica do estúdio, porém, em 2026 o nível de detalhe dos gráficos é sem precedentes. Os bonecos antigos exibem marcas e texturas extremamente realistas, enquanto brinquedos novos possuem brilho e acabamento. Cabelos, tecidos e superfícies apresentam um nível de refinamento digno de um filme de brinquedos que pode ser descrito como o mais famoso do mundo.
O que falar dos detalhes mínimos que fazem com que o Woody se torne um boneco cada vez mais velho? E o Buzz, sempre apresentado como um brinquedo imponente e moderno, começa a mostrar visualmente sinais de desgaste.
Ainda falando de identidade visual, Toy Story 5 consegue criar uma vibe própria para as cenas. Determinadas cenas se diferenciam sutilmente dos filmes anteriores, mas sem abandonar a atmosfera de inocência e imaginação que marca os primeiros filmes da saga.
Mais de trinta anos após o lançamento do primeiro Toy Story, a franquia continua encontrando novas formas de contar uma história convincente. Se um brinquedo pudesse falar, quais seriam suas preocupações em 1995 e em 2026? Agora, os personagens precisam enfrentar desafios em uma nova realidade, tudo isso enquanto vivem em seu próprio universo e têm suas próprias questões para resolver.

