A turnê mais lucrativa da história, US$ 1 bilhão em fortuna estimada e 14 prêmios do Grammy em quase duas décadas de carreira. Estes números definem a trajetória de Taylor Swift, tanto nos palcos quanto nos negócios.
No ano passado, o álbum The Tortured Poets Department foi responsável por mais de 6% de todas as vendas de discos nos Estados Unidos. Agora, com o 12º trabalho de estúdio, The Life of a Showgirl, a expectativa é superar o feito anterior e ampliar ainda mais o impacto no mercado.
Potencial de receita bilionário
Segundo a Wolfe Research, Taylor Swift é responsável por gerar entre US$ 40 milhões e US$ 80 milhões anuais para o Universal Music Group (UMG). O lançamento do novo álbum, previsto para 3 de outubro deste ano, foi descrito como um “grande evento de mercado” que pode impulsionar as previsões de receita e lucro do UMG para o trimestre.
A análise ressalta que, sem novos lançamentos de estrelas do porte da artista, o crescimento da gravadora seria moderado, reforçando a dependência de grandes hits para atingir metas de curto prazo. A ação da Universal foi classificada como “atraente” para investidores que buscam exposição no setor musical.
O UBS considera o lançamento como uma das principais alavancas de crescimento do UMG. O banco observa que, apesar das expectativas de crescimento a longo prazo, o grande impulso financeiro vem de lançamentos e anúncios de peso, que geram efeito multiplicador desde o streaming até o merchandising e as turnês.
Já o Deutsche Bank acredita que The Life of a Showgirl será uma oportunidade de “resetar a narrativa de crescimento” da gravadora, após resultados mais modestos devido à desaceleração no aumento das receitas de música.
Impacto direto nas vendas e no merchandising
No segundo trimestre, a Republic Records — selo da artista dentro do UMG — registrou queda de 12,4% nas vendas físicas e 12,7% no merchandising, resultados abaixo do esperado. A ausência de lançamentos da cantora no primeiro semestre explica a retração, em contraste com 2024, quando The Tortured Poets Department gerou um aumento de 14,4% nas vendas físicas.
Naquele ano, o merchandising da The Eras Tour fez a receita crescer 43,7%, totalizando US$ 245 milhões no segundo trimestre, um avanço de 44,6% sobre 2023. Sem grandes lançamentos, a participação de mercado da Republic caiu de 12,52% no primeiro trimestre para 9,88% no segundo.
Para o Citi Research, o lançamento de The Life of a Showgirl terá “impacto crucial” para revitalizar o crescimento do UMG, aproveitando a popularidade da cantora como uma das maiores forças de receita do mercado musical.
A mente estratégica por trás da música
Em 2021, a artista tomou uma decisão ousada. Ela pediu aos fãs que abandonassem as versões originais de seus álbuns e consumissem as regravações, agora sob seu controle. Em maio, Taylor anunciou que recuperou os masters.
“Desde que eu era adolescente, venho economizando dinheiro para recomprar minha música e para, finalmente, possuí-la, porque geralmente é a gravadora que a possui. Eu sempre quis que isso acontecesse”, declarou no podcast New Heights.
“Pedir que fãs abandonem as músicas com as quais cresceram e ainda assim vender milhões com novas versões é algo que só ela poderia fazer”, apontam especialistas.
Para Kevin Evers, editor sênior da Harvard Business Review, a cantora é “menos um fenômeno artístico e mais um estudo de caso sobre marca, controle narrativo e visão de longo prazo”. O profissional compara a trajetória a de visionários como Steve Jobs e Elon Musk: “Taylor teve sucesso porque trilhou um caminho único. As decisões dela foram moldadas pelas próprias circunstâncias. Assim como nunca haverá outro Beatles ou Madonna, nunca haverá outra Taylor Swift. Os artistas inteligentes aprenderão com ela — e buscarão sua própria versão de sucesso”.
O fenômeno ‘Swifteconomics’
A expressão “Swifteconomics” se popularizou para descrever o impacto econômico da Eras Tour, que gerou mais de US$ 2 bilhões em bilheterias e aqueceu economias locais, como em Denver, onde shows movimentaram US$ 140 milhões.
“O sucesso dela não é apenas talento, mas também timing, adaptabilidade e inteligência digital”, afirma Evers. Para o autor, cada passo foi resultado de decisões calculadas e visão de longo prazo.
Desde a adolescência, a artista mostrou habilidade para tomar decisões arriscadas, como deixar uma gravadora que não acreditava em seu potencial e apostar no executivo independente Scott Borchetta, com quem construiu sua identidade artística. Essa clareza de objetivos permitiu transitar do country para o pop sem perder autenticidade.
Taylor também identificou uma lacuna no mercado. Enquanto Nashville era dominada por compositores que escreviam para outros, decidiu narrar suas próprias histórias, criando mercados não explorados voltado para jovens mulheres. O álbum Speak Now (2010), composto inteiramente por ela, abriu um nicho até então inexplorado.
De perdas a recordes
Em 2019, após a venda de seus masters para a Ithaca Holdings, optou por regravá-los. O resultado foi histórico: Red (Taylor’s Version) vendeu 1,56 milhão de unidades nas primeiras semanas, mais que o dobro da versão original, enquanto Speak Now (Taylor’s Version) estreou no topo da Billboard 200, consolidando a artista como a mulher com mais álbuns número 1.
“Foi um ato ousado: ela pediu que os fãs deixassem de ouvir as versões com que cresceram — e funcionou”, afirma Evers. Além disso, inovou na conexão direta com fãs, usando o MySpace e criando as secret sessions para audições exclusivas antes dos lançamentos.
Para Evers, “Swift pode parecer improvável, mas o que faz não é magia. É método”. E, até agora, esse método continua funcionando.
As 13 principais conquistas da carreira de Taylor Swift
- Maior número de “Álbuns do Ano” no Grammy: quatro vitórias com Fearless (2010), 1989 (2016), folklore (2021) e Midnights (2023).
- 263 canções na Billboard Hot 100 — maior número para uma artista feminina.
- Primeira artista a estrear no #1 da Hot 100 e Billboard 200 simultaneamente, feito repetido seis vezes.
- Única a ocupar simultaneamente as 10 primeiras posições da Billboard Hot 100.
- Recorde de consumo na estreia com 2,61 milhões de unidades de The Tortured Poets Department.
- Maior venda de vinil em uma semana desde 1991, com 859 mil cópias.
- Álbum mais vendido globalmente em 2024: 5,6 milhões de cópias.
- 116,7 milhões de unidades equivalentes vendidas nos EUA, com 54 milhões físicas.
- Mais de 70,7 bilhões de streams nos EUA.
- 14 vitórias e 52 indicações ao Grammy.
- Fortuna estimada em US$ 1 bilhão, exclusivamente com música.
- The Eras Tour: turnê mais lucrativa da história, com US$ 2 bilhões em ingressos.
- Dez álbuns consecutivos estreando no topo da Billboard 200.
