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Shrek: O Musical transforma o Teatro Renault em um conto de fadas

Todos conhecem a famosa história de um ogro que resgata uma linda princesa de um castelo e, no final, acabam juntos. Algo que ensina a muitas crianças e adultos o poder de não “julgar” sem realmente conhecer o outro, algo que não acontece de forma diferente na adaptação “Shrek: O Musical”, em cartaz no Teatro Renault.

Com uma sessão completamente lotada de adultos e, principalmente, do público infantil, o espetáculo traz toda a essência do clássico cinematográfico de uma forma mais divertida e interativa com o público. Muitas crianças aproveitam para conversar com os personagens e se emocionam com cenas e interações feitas em momentos em que os atores passam pela plateia, algo que encanta os pais que pagam ingressos não tão baratos por poltronas na sessão VIP.

Porém, mesmo com diversão garantida para a família toda e tendo classificação livre, algumas piadas parecem ser mais voltadas para os adultos, algo que não impede as crianças de caírem nas gargalhadas vendo as atrapalhadas de Shrek, interpretado por Tiago Abravanel, e também do Burro, feito por Evelyn Castro.

Talvez essa seja uma carta aberta de desculpas para Tiago Abravanel, pois, quando ele foi anunciado, houve o pensamento de que seria apenas mais uma pessoa sem conhecimento de palco ou atuação integrando um elenco como uma oportunidade de vivenciar um grande musical. Engano total. Em alguns momentos, o Shrek feito por Tiago relembra o próprio personagem das animações pelo seu vocal ser muito parecido com o do humorista Bussunda, que deu voz ao personagem no primeiro e segundo filmes.

O carisma do ator abrilhanta o personagem, porém quem se destaca é o Burro de Evelyn Castro, que toma rumos completamente inesperados. Evelyn se joga em meio à comédia e diverte os pais, as crianças e até mesmo os próprios atores, que em alguns momentos não conseguem se conter com a habilidade da humorista e atriz em criar trocadilhos e fazer devolutivas de texto de forma muito ágil. Há uma cena em que Evelyn mostra o dom de cantar de cabeça para baixo e choca todos, que caem em aplausos e gritos de alegria.

Destaque também para Amanda Vicente, que infelizmente possui poucas cenas, mas o pouco que apareceu deu o toque de querer mais vê-la em ação. Ela domina o palco como ninguém no papel de “Dragona”, o dragão que se apaixona pelo Burro. Houve muitos comentários sobre as cenas do biscoito, que geraram gargalhadas, mas no momento em que Pamela Rossini soltou a voz em uma canção, deu para sentir todos arrepiados e encantados. É incrível ver que muitos talentos estão como ensembles ou em papéis menores.

Por último, e não menos importante, o que dizer sobre Fabi Bang como Fiona? É notório o carisma e também a tamanha presença de palco. Fabi consegue levar o público ao delírio, sabe como brincar com o corpo e com a voz, não foge do tom em nenhum momento e possui uma fã-base sólida que está ali apenas para gritar em todos os momentos em que ela aparece. Ela sabe que é consolidada e uma estrela, tem ótimos ganchos cômicos e, quando contracena ao lado de Tiago, entende o momento que é dele e qual é dela, ao lado de Mariana Montenegro, que interpreta Fiona adolescente também.

O musical está em cartaz até o dia 6 de julho e, caso você ainda não tenha assistido, talvez esteja perdendo a grande chance de visualizar mais uma grande produção, com diversos cenários lindos e bem trabalhados, adaptações musicais no ponto correto e um texto com fator humorístico para toda a família. Vale até repetir a dose depois.

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