A restrição ao uso de celulares em shows tem ganhado espaço entre artistas que buscam reduzir gravações, flashes e distrações durante as apresentações. Phoebe Bridgers, Jack White e Bob Dylan estão entre os nomes que já adotaram medidas para limitar o uso de dispositivos eletrônicos pelo público.
Quando voltou aos palcos em maio, Phoebe Bridgers optou por uma divulgação inspirada em décadas anteriores, espalhando cartazes pelas cidades onde se apresentaria. Além disso, proibiu a entrada de celulares, câmeras e outros equipamentos capazes de registrar as músicas de Lost Weekend, álbum que seria lançado posteriormente, em agosto.
A política continuou durante a expansão da turnê pelo Hemisfério Norte. Segundo dados da Eventbrite, shows e festas sem celulares cresceram 567% em 2026, indicando uma expansão desse formato em eventos ao vivo.
Como funciona o bloqueio de celulares nos shows
Em apresentações que adotam o sistema utilizado por Phoebe Bridgers, os espectadores recebem pequenas bolsas desenvolvidas pela Yondr, empresa norte-americana especializada no bloqueio de dispositivos.
O celular é colocado dentro do acessório, que permanece fechado por uma trava magnética durante o evento. O público pode desbloqueá-lo somente ao final da apresentação ou em áreas específicas destinadas ao uso dos aparelhos. Exceções podem ser concedidas mediante apresentação de atestado médico.
De acordo com a publicação, a Yondr cobra cerca de US$ 3 por pessoa dos organizadores e já participou de mais de 10 mil eventos em 27 países. O sistema também foi utilizado em shows de artistas como Paul McCartney, Alicia Keys e Guns N’ Roses.
Jack White e Bob Dylan também adotaram a restrição
Jack White foi um dos artistas que começaram a adotar a política antes de Phoebe Bridgers. Em 2018, o músico passou a restringir o uso de celulares durante seus shows, defendendo que os aparelhos não deveriam bloquear a visão de outras pessoas na plateia.
No ano seguinte, Bob Dylan também aderiu à medida. Durante uma apresentação, o cantor questionou o público: “podemos tocar ou podemos posar para vocês”.
Nem todos os artistas, porém, concordam com a necessidade de uma política específica para impedir o uso dos aparelhos. Damon Albarn, integrante do Blur e do Gorillaz, considera que uma boa apresentação seria suficiente para manter a atenção do público longe dos celulares.
Anitta também já falou sobre shows sem celulares
A discussão chegou ao Brasil. Anitta afirmou ao blogueiro Hugo Gloss que gostaria de proibir celulares durante a turnê Equilibrivm, mas apontou o custo da operação como um obstáculo.
Enquanto isso, a startup brasileira Hup, fundada em 2025, trabalha na adaptação do modelo utilizado pela Yondr para o mercado nacional. O fundador Martin Lowy explica: “Já fui filmado ou fotografado contra a minha vontade”.
“O celular banaliza qualquer espaço, deixa o público exposto e inibe quem quer agir de forma natural”, acrescenta.
Atualmente, o serviço da empresa é utilizado principalmente por escolas particulares da Região Sudeste, mas a Hup pretende ampliar sua atuação para eventos musicais. A previsão é de um custo de R$ 15 por pessoa.
“Já tivemos solicitações de grandes artistas do ramo e faremos nosso primeiro show, ainda secreto, em agosto”, afirma Lowy.
A restrição também chegou a eventos particulares
O bloqueio de smartphones não se limita aos shows. Taylor Swift e Travis Kelce, por exemplo, realizaram uma cerimônia de casamento em 3 de julho com restrições ao uso de aparelhos.
O evento, realizado no Madison Square Garden e com cerca de 1 mil convidados, permaneceu sem registros públicos durante mais de 40 dias, segundo a publicação.
Tom Holland e Zendaya também teriam adotado uma política de privacidade semelhante em uma cerimônia realizada na Inglaterra, restrita a amigos e familiares.
