O novo álbum da 5 Seconds of Summer não é só um retorno, é uma reinvenção com gosto de provocação. Lançado nesta sexta-feira (14), “Everyone’s a Star” é um trabalho que desafia rótulos e entrega uma sonoridade que pode, sim, surpreender até os fãs mais fiéis. Com 12 faixas, o disco aposta em sintetizadores oitentistas, referências que lembram The Weeknd e Gorillaz, mas sem abandonar o espírito rebelde e melódico que sempre foi a espinha dorsal da banda.
Talvez a grande sacada do álbum esteja justamente no equilíbrio entre o novo e o familiar. A vibe pop rave que aparece em várias faixas é inesperada, mas combina com eles de um jeito tão orgânico que chega a ser curioso não terem explorado essa energia antes. E se por acaso você ouvir e achar estranho demais, talvez seja porque está preso à versão antiga da banda, aquela dos primeiros discos. Eles mudaram, e isso é visível (e audível) em cada segundo desse projeto.

O que mais chama atenção, porém, é o conceito por trás de “Everyone’s a Star”. A frase que dá nome ao álbum resume perfeitamente a crítica feita pela banda à cultura das celebridades e à lógica da fama instantânea. A estética visual também traduz essa provocação, desde pôsteres de audições fictícias para boybands até vitrines de bonecos colecionáveis, tudo feito com um tom cômico e satírico que já se anuncia na capa do disco.
“NOT OK”, o lead single, é uma escolha certeira. Resume bem a energia do álbum com sua batida pulsante, letra emocional e produção moderna. A faixa “Evolve” remete em alguns momentos a “Zombieboy”, da Lady Gaga, enquanto “The Rocks” pode te transportar direto para os acordes nostálgicos de “La La Land”, da Demi Lovato. Já “Sick of Myself” é chiclete e com certeza uma das favoritas.
A faixa “Boyband” é um destaque à parte. Aqui, o grupo assume com orgulho e ironia o rótulo que os acompanhou desde o início da carreira. Ao invés de rejeitar a ideia, eles brincam com ela, debocham da pressão de serem perfeitos e abrem espaço para a autoaceitação. É um gesto artístico e pessoal que diz muito sobre o momento que vivem.
Banda faz o inverso do que estão fazendo em carreira solo
Individualmente, cada integrante da banda já teve espaço para explorar diferentes estilos em projetos solo. Luke mergulhou na melancolia, Calum no alternativo, Ashton no rock e Michael no punk rock. Agora, de volta como banda, a 5SOS mostra como essas experiências individuais fortaleceram a dinâmica do grupo. Há um entrosamento evidente, como se cada um tivesse voltado ao coletivo mais consciente do próprio papel.

“Everyone’s a Star” é irônico, divertido e inteligente. É um disco que desafia o ouvinte a se abrir para algo novo, mas que ainda carrega a alma da 5SOS. Eles cresceram, amadureceram, brincaram com a própria imagem e, nesse processo, entregaram um dos trabalhos mais completos e criativos da carreira.
Se você cresceu ouvindo a banda e se pergunta se ainda faz sentido acompanhá-los, este álbum responde com convicção. A resposta é sim!
