Quatro anos depois de Follow Me, finalmente chega aquela que parecia ser a grande aposta internacional de Pabllo Vittar. E talvez o mais interessante sobre LOST IN LUST seja justamente a intenção por trás dele: Pabllo poderia facilmente lançar 500 músicas na linha de “Amor de Que” e “Alibi”, mas escolheu tentar construir uma obra que parece mais próxima da artista que ela quer ser hoje.
Em pouco menos de 30 minutos e 12 faixas, Pabllo tenta encaixar EDM, reggaeton, forró, pop e eletrônica num único projeto. A ambição é real e o esforço aparece, mas o álbum frequentemente parece não saber exatamente o que quer ser. As músicas coexistem sem necessariamente conversar entre si, como peças de universos diferentes jogadas no mesmo projeto. Além das diversas referências, Pabllo nos dá a sensação que o disco é um trabalho em progresso.

A proposta non stop é uma das escolhas que melhor funcionam. A continuidade entre as faixas cria um fluxo dinâmico que ajuda bastante, mas a duração curtíssima trabalha contra o projeto. Algumas músicas têm menos de dois minutos e, quando você finalmente começa a entrar no clima, elas já acabaram.
Quando o disco encontra um rumo mais claro, aí sim ele decola. “ALONE” é o maior exemplo: parece ter saído direto da The Week às 4 da manhã e é justamente nessa estética mais assumidamente clubber que Pabllo parece mais à vontade. “BETTER THAN A FEELING” e “SKIN” também acertam a mão. São os momentos em que composição e produção trabalham juntos e as referências param de parecer um mood board sem edição e passam a formar algo com identidade.
O problema é que esses momentos convivem com faixas genéricas demais pra um nome do tamanho de Pabllo. O álbum funciona melhor na pista do que no fone de ouvido, e isso talvez diga tudo: LOST IN LUST entende o ambiente pra qual foi feito, mas não consegue ser memorável fora dele.
Não é um projeto sem mérito, é uma artista querendo demais de si mesma num momento em que ainda faltam os colaboradores certos pra refinar essa visão. O próximo passo não é voltar atrás, é aprofundar a pesquisa até que ela deixe de soar como tentativa de internacionalização e passe a parecer simplesmente uma nova fase.
Faixas para ouvir: ALONE, BETTER THAN A FEELING, SKIN
Nota: ★★★☆☆
