Nesta semana, o dicionário de Cambridge anunciou a escolha do termo “parassocial” como a palavra do ano de 2025. O conceito é definido pelo dicionário como o adjetivo relacionado à conexão que alguém sente com uma pessoa famosa que não conhece, com um personagem de livro, filme, série de TV ou com uma inteligência artificial. O termo, antes restrito a contextos acadêmicos, viu seu uso crescer e se popularizar nas redes e mídias tradicionais.
A origem do conceito remonta a 1956, quando os sociólogos Donald Horton e Richard Wohl criaram a ideia. Os pesquisadores notaram que telespectadores desenvolviam “relações” com apresentadores e atores que apareciam diariamente em suas telas, em vínculos semelhantes aos que mantinham com familiares e amigos reais.
A inclusão da palavra no dicionário ocorreu em 2023, após a expansão do uso. Décadas mais tarde, a ascensão das redes sociais intensificou a sensação de intimidade com celebridades e influenciadores. Mais recentemente, a popularização de chatbots de inteligência artificial trouxe nova transformação, com os programas sendo tratados como confidentes, amigos e até parceiros românticos por parte dos usuários.
O papel da cultura pop na popularização do termo
A cultura pop foi decisiva para que a palavra “parassocial” fosse a escolhida. O anúncio de noivado da cantora Taylor Swift e do atleta Travis Kelce provocou um novo pico de buscas pela expressão, enquanto admiradores da artista e do desportista comentavam o quanto suas próprias reações extrapolavam a admiração habitual.
A BBC citou o álbum West End Girl, da cantora britânica Lily Allen, como um exemplo da relação parassocial. O disco, lançado no último dia 24 de outubro, foi bastante debatido nas redes sociais por revelar detalhes do fim do relacionamento da artista com o ator David Harbour, de Stranger Things, o que aumentou o interesse do público na vida pessoal da celebridade.
Além da música, discussões sobre influenciadores e a proximidade que constroem com seus seguidores ganharam espaço nas redes, levantando questões sobre limites, ética e a exploração comercial desse tipo de vínculo, conforme o dicionário.
A publicação também sublinha que reportagens recentes sobre os possíveis efeitos do uso de chatbots de inteligência artificial na saúde mental de crianças causaram um salto nas buscas pelo verbete, o que motivou o Cambridge, em setembro, a atualizar a definição para incluir relações com inteligências artificiais.
Segundo Colin McIntosh, editor do dicionário de Cambridge, a expressão se destacou por vários motivos. O editor disse, em nota, que:
“O interesse público pelo termo aumentou consideravelmente este ano, como podemos constatar pelos nossos dados: o número de buscas por ele no dicionário de Cambridge, bem como no Google, apresentou picos em diversas ocasiões”.
Para o profissional, o termo deixou de ser um jargão acadêmico para ingressar no vocabulário cotidiano, capturando o espírito de um ano marcado por uma curiosidade crescente sobre as vidas de figuras públicas.
