Câmeras analógicas, discos de vinil, séries antigas e até a volta dos CDs conquistam cada vez mais espaço entre jovens digitais. Estudos indicam que recorrer ao passado funciona como estratégia emocional diante de incertezas.
Segundo o psicólogo Clay Routledge, vice-presidente de pesquisa do Archbridge Institute, a chamada “nostalgia histórica” cresce entre jovens que nem vivenciaram a adolescência nos anos 90. Pesquisa coordenada pelo especialista em 2025 apontou que 68% dos norte-americanos sentem apego a épocas anteriores à própria vida, sendo a Geração Z e os Millennials os mais propensos.
A nostalgia como recurso emocional
O estudo “Nostalgia Histórica na América Moderna”, divulgado pela Fortune, revelou que 63% dos entrevistados usam memórias de períodos passados para lidar com estresse e ansiedade, comportamento mais presente entre os jovens. Routledge destacou ao The New York Times que ressignificar experiências analógicas ajuda a viver com mais autenticidade e enfrentar a pressão social e incerteza sobre o futuro.
A nostalgia histórica proporciona equilíbrio, permitindo que o entusiasmo por novas tecnologias conviva com experiências tangíveis, consideradas essenciais para o bem-estar.
O retorno do analógico
O fascínio pelo passado influencia hábitos de consumo. Relatório da Fortune indicou que o mercado de vinis nos EUA movimentou US$ 1,2 bilhão em 2022, impulsionado em grande parte pela Geração Z.

O interesse se estende a CDs, câmeras analógicas e livros impressos. Além disso, atividades offline cresceram, incluindo visitas a bibliotecas, encontros presenciais e hobbies manuais, como cerâmica, que viralizou no TikTok. Muitos jovens ainda convencem familiares a investir em vitrolas e tocadores de CD.
Tecnologia, ansiedade e pertencimento
O apego ao passado também reflete ceticismo em relação à tecnologia. Pesquisa de 2023 realizada pelo Harris Poll e Routledge revelou que, mesmo diante de otimismo com o futuro, jovens demonstram preocupação com impactos da tecnologia na saúde mental e isolamento social, especialmente em um mundo pós-pandemia.
O resgate de referências dos anos 90 e 2000, décadas pré-redes sociais, oferece sensação de pertencimento e conexão com um tempo considerado mais simples e menos saturado digitalmente. Séries como Friends e Sex And The City continuam a atrair atenção, mostrando que experiências antigas mantêm relevância e encanto.
Routledge afirmou: “A nostalgia histórica permite que a nova geração aproveite benefícios do mundo pré-internet, criando sentido em meio às dúvidas do presente.”