Quem acompanha a cena eletrônica de perto já deve ter reparado em looks que fogem completamente do óbvio nos palcos.Látex, couro, argolas, modelagens que parecem construídas para cada corpo, porque são. Por trás de várias dessas peças está a Naxshii, marca paulista fundada pelos estilistas Fábio Namee e Luana Onishi, que vem ganhando espaço no guarda-roupa de artistas em ascensão, do Brasil à América do Sul.
O trabalho mais recente foi o look usado pela NANA, no festival Gop Tun neste último fim de semana. Mas não é o primeiro acento da marca em festivais de peso: a Naxshii também assinou as peças do Ruel no Lollapalooza Argentina, consolidando uma presença que vai além das fronteiras.


Fábio, fundador da Naxshii, conta que o processo de criação para NANA foi mais trabalhoso do que o habitual. A parte de cima em látex com corset não tem atalhos. “É um tecido que é criado do zero, porque a gente não tem rolo de látex à venda. E é complicado manusear porque ele é tóxico, então a gente não pode ficar inalando”, explica. O material exige dias de secagem, testes de modelagem e ajustes precisos antes de chegar ao resultado final. O corset foi desenvolvido depois, como solução para garantir que a peça ficasse perfeitamente ajustada ao corpo da DJ.
Confira o cróqui.

A calça também teve seu grau de complexidade: com faixa de couro lateral, argolas e cós com mosquetão em destaque, a peça precisou ser adaptada especialmente para o corpo de Nana antes de ir para o palco.
Uma estética que vem de uma coleção maior
O look não surgiu de forma isolada. Fábio conta que as peças fazem parte do universo que a Naxshii está construindo para seu próximo lançamento. “Ela vem com Dark, ela vem com a cultura dos festivais de eletrônica. A gente quer trazer essa bizarrice do látex que parece uma pele humana, esse toque de diferenças em tecidos que aos olhos deixe o estranho. Só que é o estranho da moda, um estranho bonito”, define.


Como a parceria com Nana aconteceu
A colaboração foi orgânica desde o início. Fábio já acompanhava o trabalho da DJ pelas redes, mas nunca tinha visto um set dela ao vivo até o dia em que ela experimentou as peças pela primeira vez. “Quando eu chamei ela, eu só mandei as ideias que a gente já tinha pensado para ela e ela deu total liberdade criativa pra gente fazer o que a gente quiser. Quando ela vestiu a peça, ela adorou e ela tá seguindo essa estética junto com a gente”, conta.
A aposta em nomes em ascensão é uma escolha intencional da marca. “É muito importante pra gente, tanto como uma marca nova, trabalhar com DJs que estão começando, que estão no início da carreira, porque são eles que são o futuro da música. A gente precisa dar esse apoio”, reforça Fábio.
