O mercado da música no Brasil está mais aquecido do que nunca, mas a grana ainda não chega como deveria a quem realmente cria. Em 2024, o setor movimentou impressionantes R$ 116 bilhões, segundo levantamento da Associação Nacional da Indústria da Música (Anafima). Porém, menos de 1% desse valor chegou diretamente aos artistas via streaming.
A maior fatia da receita continua vindo dos shows e apresentações ao vivo, que arrecadaram R$ 94 bilhões, quase 81% do total. Ingressos, patrocínios, venda de produtos e o impacto nas cidades onde os eventos acontecem consolidam o palco como o verdadeiro ouro da indústria.
Mas afinal, quem lucra com as músicas nas plataformas digitais?
Do outro lado, a música gravada (aquela que a gente escuta no Spotify, YouTube ou similares) movimentou R$ 3,48 bilhões. Parece muito? Só parece. A maior parte desse montante não vai para os músicos. O estudo mostra que R$ 700 milhões chegaram, de fato, às mãos dos artistas. Isso representa apenas 0,6% do valor total da indústria musical.
Enquanto isso, as plataformas de streaming como o Spotify dominam o jogo. O serviço lidera o mercado brasileiro, respondendo por 60% das receitas de streaming, que por sua vez correspondem a quase 88% de toda a receita da música gravada.
Ainda assim, quem banca o show, literalmente, são os fãs. Só em 2024 foram mais de 100 mil datas de eventos, um aumento de 31% em relação ao ano anterior. O tíquete médio foi de R$ 432, mas em festivais e megaeventos, como Lollapalooza ou o show de Madonna em Copacabana, esse valor chegou a ultrapassar R$ 3 mil nas áreas VIP.

