Um estudo recente apresentado na 6ª Conferência Internacional AMMCS sobre Matemática Aplicada, Modelagem e Ciência Computacional revelou que estruturas matemáticas, como simetria e transformações algébricas, ajudam a explicar por que determinadas canções “grudam” na memória. A pesquisa foi conduzida por especialistas da Universidade de Waterloo e analisou melodias sob a perspectiva da álgebra.
O trabalho examinou composições populares com base em:
- teoria dos grupos;
- área da matemática dedicada ao estudo de padrões e transformações.
Cada uma das 12 notas da escala cromática foi convertida em valor numérico, o que permitiu transformar sequências sonoras em representações algébricas e identificar padrões recorrentes.
Entre os recursos avaliados pelos pesquisadores estão inversão, transposição, retrogradação e translação
A análise identificou dois formatos principais de simetria, denominados tonal e posicional. De acordo com os autores, muitas músicas preservam uma estrutura central enquanto introduzem variações sutis e previsíveis, combinação que favorece a retenção na memória e estimula repetição mental.
A relação entre música e números remonta à Antiguidade, com estudos realizados por pensadores da Grécia do século V a.C. A investigação atual propõe uma conexão mais direta entre conceitos de álgebra abstrata e a percepção auditiva contemporânea, ao tratar melodias como estruturas passíveis de transformação matemática.
Nem todos os compositores atribuem a criação de sucessos a cálculos formais
O músico Nick Lutsko, reconhecido por jingles comerciais e vencedor de um Webby Award em 2022 por campanha da Old Spice, declarou à Popular Science que muitas melodias surgem de maneira intuitiva. Nesta época, o artista assinou dois jingles exibidos no Super Bowl, exemplos de composições curtas que permanecem na mente do público após a exibição.
Segundo a pesquisa, mesmo quando o processo criativo não envolve cálculos conscientes, princípios matemáticos ligados a padrão, repetição e simetria podem estar presentes. O equilíbrio entre previsibilidade estrutural e pequenas alterações tende a estimular reconhecimento e interesse, mecanismo que ajuda a entender por que refrões e jingles continuam ecoando mentalmente por horas ou dias.
Interessante, não é? Pensando nisso, separamos uma lista com as músicas que provavelmente grudaram na sua cabeça em 2025. Confira:

