São Paulo teve uma quarta-feira (9) bem diferente. O Espaço Unimed, com a casa completamente lotada, deixou de ser uma arena de shows tradicional e ganhou ares de um filme romântico antigo com a chegada da turnê A Matter of Time, da cantora islandesa Laufey.
Antes mesmo da atração principal, a britânica Amie Blu já tinha deixado o público no clima certo. Com um som que mistura R&B e indie pop, ela entregou um show de abertura redondo, preparando a plateia para a vibe mais intimista que dominaria a noite.
Quando Laufey pisou no palco, a estética entregou tudo. O cenário imitava o interior de um castelo clássico, criando o fundo perfeito para o piano, violão e violoncelo. Logo nas primeiras faixas, “Clockwork” e “Lover Girl”, já dava para entender o nível da entrega do espetáculo.
Como alguém que respira a cultura de shows e documenta a experiência de fã de perto, foi impossível não notar a força do público ali. Não era apenas uma plateia assistindo a um show de jazz e música clássica; era uma comunidade absurdamente apaixonada. O coro altíssimo da galera em “From the Start” e as lágrimas visíveis durante “Too Little, Too Late” provaram a relação afetiva real que ela construiu com quem acompanha seu trabalho.
E essa galera veio de longe. Tinha gente de todas partes do Brasil que viajaram até São Paulo só para ver a artista de perto, e até um grupo de equatorianos com a bandeira do país, interagindo com os brasileiros e criando uma energia muito legal na pista.
A proximidade com os fãs, aliás, foi um dos pontos altos. Laufey não ficou presa ao pedestal. Ela conversou bastante, fez piada com as próprias músicas e, no momento que rendeu os maiores gritos da noite, desceu até a grade para cumprimentar o pessoal, o tipo de interação que faz toda a diferença para quem está ali na grade.
Para nós, o som da Laufey bate de um jeito bem familiar, e o motivo é bem claro: a bossa nova. Ela não esconde que a nossa música é a base de grande parte da sua identidade artística. No palco, ela fez questão de reconhecer esse laço e agradecer.
“Isso significa muito para mim, mais do que muita gente imagina. Grande parte da minha carreira foi construída em cima desse tipo de música. Eu amo vir ao Brasil e cantar com vocês como uma forma de mostrar a minha gratidão”, disse ela.
No fim das contas, foi daquelas apresentações impecáveis e emocionantes, que rendem ótimos registros e ficam marcadas na memória de qualquer fã de música ao vivo.
