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Flerte Flamingo estreia com “Dói Ter”, álbum boêmio que expressa o que dói e o que insiste em ficar

Flerte Flamingo aquece o cenário nacional com seu primeiro álbum oficial: “Dói Ter”, que chega às plataformas nesta sexta-feira, 17 de outubro. A banda baiana, erguida em Salvador e temperada por ritmos locais, mergulha com coragem numa sonoridade mais densa, noturna e urbana, traduzindo em som as luzes, sombras e memórias das noites de existir.

O quarteto formado por Leonardo Passovi (voz e guitarra), Gustavo Cravinhos (guitarra e teclas), Bruno de Sá (baixo) e Igor Quadros (bateria), escolheu como palco criativo uma imersão de dez dias em Mairinque (SP) para dar corpo a esse novo capítulo. Entre fogueiras, longos ensaios e uma atmosfera de retiro, eles elaboraram os arranjos que dariam forma ao disco, com produção do parceiro de longa data Fernando Tavares. A partir de então, o trabalho avançou entre estúdios em São Paulo e Salvador, até junho de 2024.

O que chama atenção em “Dói Ter” é sua proposta narrativa: 14 faixas entrelaçadas numa escuta pensada como experiência. Não só isso, o álbum incorpora gravações caseiras, vozes ao telefone, áudios de WhatsApp, narrações quase aleatórias e até sons de um jantar entre amigos como camadas de textura. Os vocais foram registrados em Salvador, reforçando o laço afetivo e emocional com o espaço de onde as músicas nasceram.

O título, por si só, carrega mistério e simbologia. Segundo o vocalista, surgiu de uma noite de reflexão, uma palavra que parecia saída de outro idioma ou de um latim moderno, antes de ganhar sentido no português. Ele representa o sentimento silencioso, dolorido, de manter algo perto mesmo quando o peso consome.

Nesta nova fase, o Flerte Flamingo deixa de olhar para fora e volta o olhar para dentro. As letras não mais falam para quem está do outro lado da canção, mas para quem sente suas próprias dores, seus próprios encantamentos. O álbum é uma jornada por uma Salvador boêmia, onde o fim de semana se expõe como metáfora da existência: começa com euforia, passa por introspecção e termina com um amanhecer melancólico.

São influências amplas: Led Zeppelin, BaianaSystem, Gal Costa, The Marias, Dorival Caymmi, Luiza Lian. O estilo? Eles batizaram de “indie samba-rock”, uma fusão sonora confortável entre o groove de Jorge Ben e a energia de Arctic Monkeys.

Ouça o álbum

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