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O circo ressignificado: a exposição “O Circo no Brasil” estreia no Farol Santander

Foto: Rodrigo Reis

Você sabia que o circo chegou ao Brasil no século XIX e, desde então, virou parte do nosso DNA cultural? A partir de 23 de maio, o Farol Santander em São Paulo convida a gente a embarcar nessa viagem no tempo com a exposição O Circo no Brasil, sob a curadoria leve e envolvente de Diana Malzoni. São dois andares (o 23° e o 22°) inteiros dedicados a celebrar essa arte que nos emociona pelos muitos sotaques brasileiros que conquistou ao longo dos anos.

Logo no topo, no 23° andar, o ambiente batizado de “Pano de Roda” te coloca literalmente sob a lona, é impossível não sentir o espírito do picadeiro e se apaixonar pela figura do palhaço, que é, na verdade, um espelho da humanidade. Nomes como Piolin, Picolino, Arrelia e Torresmo ganham, ali, sua merecida homenagem desde bordões que marcaram época até a passagem da lona ao televisivo, eternizando sua presença no nosso imaginário. É sorriso, crítica social e afeto numa bela mistura.

Foto: Rodrigo Reis

E o mergulho continua: a arquitetura nômade do circo ganha atenção especial. A gente vê desde as barracas primitivas do “tapa‑beco” e do “pau fincado” até estruturas modernas de circo americano, além dos caminhos incríveis que as trupes inventavam — de caminhões a aviões — para levar entretenimento a cada canto do país.

No mesmo andar, fotos, objetos, maquetes e uma coletânea raríssima de vídeos documentais e depoimentos. Destaque para o inédito filme “Sua Majestade Piolin” (1971), dirigido por Suzana Amaral, e ao encantador “Le Grand Cirque Calder” (1927), que traz o circo em miniatura pelas mãos do genial Alexander Calder , uma preciosidade apresentada por Jean Painlevé.

Foto: Rodrigo Reis

Quem gosta de brincar de artista vai se esbaldar: estações interativas propõem mágicas, malabarismos, equilíbrio, fakirismo, um convite irresistível pra sentir o gostinho de estar num picadeiro. E ainda tem camarim cenográfico todo montado com figurinos, espelhos e adereços, além de uma instalação holográfica que materializa performances circenses contemporâneas com poesia e ousadia, uma ponte direta entre passado e presente.

Já no 22° andar, a narrativa segue num tom delicado e bem-humorado com o vídeo animado protagonizado pelas palhaças Emily e Manela. Elas passeiam pelas raízes ancestrais do circo e mostram sua evolução até hoje. Maquetes explicam com detalhe as arquiteturas itinerantes, revelando como esse espetáculo se reinventa em movimento.

Foto: Rodrigo Reis

A exposição não esquece as histórias de vida que acontecem por trás dos holofotes: retrata a rotina forte das famílias circenses, os desafios logísticos e, claro, homenageia artistas pioneiros como Benjamin de Oliveira — o primeiro palhaço negro do Brasil — e Antenor Pimenta, que trouxe cenários e efeitos especiais com a energia nacional do Gran Circus Rosário.

E não para por aí: a mostra também salda a dívida com as escolas de circo fundadas nos anos 1970, como o Circo Spinelli e a Circo Escola Picadeiro do Zé Wilson — símbolos vivos da continuidade dessa tradição que tanto faz nosso coração vibrar.

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