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“Existe”: a voz coletiva de artistas trans em um manifesto de resistência

Capa / Crédito: Alicia Abe

O cenário musical brasileiro ganha um reforço de peso e significado com o lançamento do single “Existe”, uma colaboração poderosa de Boombeat, Enme, Jupi77er, Coral e Siamese. A faixa, disponibilizada em todas as plataformas digitais neste Dia da Visibilidade Trans, transcende a simples canção para se firmar como um manifesto coletivo de existência, afeto e resistência Trans.

Com produção musical assinada por Fejuca e Gabriel Saffi, a gênese de “Existe” reside em um camping criativo singular, fruto de uma parceria entre a BOA Música Brasil e a DOG Music Lab. Este encontro proporcionou um espaço de escuta e troca, onde as narrativas, sentimentos e questionamentos inerentes às vivências trans foram colocados no centro do processo criativo.

Foto: Alicia Abe

A importância de ocupar e vocalizar esses espaços é um dos pilares da canção. A artista Coral destaca a força desse movimento:

“Um camping com pessoas trans, trazendo as nossas narrativas, questionamentos e sentimentos é um prato cheio pra construção da nossa ‘transcestralidade’. E quanto mais pessoas como nós falarem e se colocarem no mundo, mais força daremos pras que virão.”

A iniciativa partiu da rapper Boombeat em parceria com a DOG Music Lab, impulsionada pela necessidade urgente de ampliar a visibilidade de artistas trans e de afirmar a existência desses corpos como um ato cotidiano e essencial. A música se torna, assim, um veículo para falar sobre presença, a construção de um futuro digno e a potência de ocupar o mundo para além das margens.

A própria Boombeat reflete sobre a relevância de ter canções que espelhem suas realidades:

“Nessa conversa, estávamos falando sobre a necessidade e importância de existir músicas com narrativas trans. Até mesmo pelas especificidades que são exclusivas da nossa vivência e merecem ser contadas.”

Foto: Alicia Abe

Musicalmente, “Existe” é definida como multisonora, uma fusão que não se prende a um único gênero. A faixa passeia por referências que vão da MPB ao rock, passando pelo neo-soul e R&B, culminando no que o produtor Fejuca cunhou como “MPBU” (Música Popular Brasileira Urbana). A intenção era criar uma sonoridade atemporal e rica em texturas.

O produtor Fejuca detalha a concepção sonora:

“A ideia foi construir uma sonoridade atemporal. Somos muito fãs de fuzz, violão, beats com timbres clássicos, samples e piano acústico. A partir desses elementos, chegamos a uma textura sonora que gostamos muito. Houve amor do início ao fim.”

Em um país onde a população trans historicamente enfrenta a marginalização, o projeto se consolida como um gesto político e afetivo de grande valor. Ele cria referências, fortalece laços e abre caminhos para novas possibilidades de futuro.

Foto: Alicia Abe

Siamese compartilha a emoção de participar do processo:

“Meus versos nasceram de forma muito natural, em sintonia com tudo o que já havia sido dito e sentido ali. Foi bonito acompanhar a música ganhando corpo, voz e afeto.”

A canção, que celebra a resistência e a esperança, é um convite à reflexão sobre o futuro. Enme conclui com uma visão poética sobre a mensagem da faixa:

“A música retrata um pouco do que queríamos cantar para um futuro distante, depois de uma vida longa, de muitas caminhadas. ‘Um sonho além do tempo e o orgulho de quem ela se tornaria’.”

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“Existe” é mais do que um lançamento; é um marco na música brasileira que celebra a diversidade, a força e a inegável presença da comunidade Trans.

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