Desde as pioneiras como Dina Di até artistas já consolidadas como Chris SNJ, Kmila CDD, Karol Conká, Negra Li, as rappers femininas nunca mais largaram o microfone desde que o pegaram pela primeira vez no início dos anos 1990. Porém, mesmo com o crescimento constante do rap nacional na última década, as mulheres ainda são comparadas aos homens e alguns deles, não têm tanta habilidade, mas ainda assim conseguem uma popularidade maior.

10 rappers femininas em alta na cena nacional

Isso não é algo que acontece somente no Brasil, mas também nos Estados Unidos e na Inglaterra. Entretanto, assim como Megan Thee Stallion e Ice Spice, as rappers femininas estão mudando o jogo.

Nos últimos anos, artistas como Ajuliacosta e Tasha & Tracie marcaram presença na cena do rap no país, com lançamentos relevantes e rimas afiadas que mostram muita arte. Elas exploram uma variedade de subgêneros e abordam temas sociais, racismo, sexo, amor e até questões contra a LGBTQIA+fobia e muito mais.

Sob a curadoria do Grammy News, confira uma seleção de rappers femininas na cena diversificada do rap brasileiro, um mundo que mistura baile funk e trap.

Ajuliacosta

De Mogi das Cruzes, na grande São Paulo, Ajuliacosta é um dos nomes mais relevantes do rap nacional atualmente. Seu flow descontraído e suas letras fortes são uma afirmação contra uma cena de rap acostumada a elogiar um flow sem muita inspiração.

AJC já se apresentou em vários festivais desde sua estreia, em Brutas Amam, Choram e Sentem Raiva (2023). Nesse trabalho, Julia transita por várias personas: a namorada amorosa, a ex-namorada triste e a original implacável. Tudo isso é filtrado pela perspectiva de uma mulher negra e independente de favela, cujo flow desliza pelas rimas e reafirma palavras para torná-las mais fortes. Autodenominada uma “rainha chavosa”, ela canta em “Queen Chavosa”: “O corre é nós memo o apoio é nós memo / Meu patrocínio é o mesmo, nóis memo”.

Anna Suav

Com uma voz suave, Anna Suav agrada os ouvintes com seu rap que tem influências de R&B. Mas a artista também sabe ser guerreira, que orgulhosamente exalta sua região, a floresta amazônica.

Em “Dengosa & Brabona”, lançado em junho passado, com a participação da MC Rayssa Dias, Anna desacelera as batidas rápidas com seus vocais envolventes. Em “Levante”, ao lado da rapper Bruna BG, ela declara: “De onde tamu florindo, sairão outras demais!”.

De fato, nas últimas décadas, artistas da região amazônica têm conquistado mais espaço e reconhecimento na indústria musical brasileira, que tende a ser mais centrada no Sul e Sudeste. Rappers femininas como Anna Suav, Bruna BG, Nic Dias e Nega Ysah estão liderando essa frente.

Áurea Semiséria

Nascida e criada em Salvador, na Bahia, Áurea é uma das competidoras mais versáteis em ascensão. Seu catálogo, conciso, mas com propósito, mostra uma artista que não tem medo de moldar o rap conforme seu gosto. Se é para soltar rimas sobre pagode ou se jogar nas batidas de grime, Áurea não perde a chance de mostrar suas habilidades.

Com o microfone na mão, ela reivindica um espaço para sua própria música e à cena do rap da Bahia. O estado, que abriga a maior população negra do Brasil, já gerou vários grupos de rap de destaque, incluindo Opanijé, Afrogueto e Vandall.

Bione

Seja atuando, escrevendo, se apresentando no teatro ou improvisando em um vídeo do Instagram, Bione é a personificação da versatilidade e afiação do rap. Uma membro notável do Slam das Minas PE — um dos slams de poesia mais influentes do Brasil — Bione é um talento multifacetado que explora o rap por diversas formas.

Nascida e criada em Pernambuco, Bione chegou à cena em 2019. Em seu álbum de estreia, “Ego” (2022), Bione colaborou com Mãe Beth de Oxum, que combina tradições locais e brega funk. Na faixa “Deixa as Garota Brincar”, ela declara ousadamente: “eles quiseram me amedrontar / só que hoje eu sou o maior medo deles”.

Duquesa

Duquesa é o título que a jovem Jeysa Ribeiro escolheu para si mesma ao se lançar na cena do rap brasileiro. E ela está vivendo à altura do nome: em poucos anos, a rapper da Bahia passou de uma performance improvisada em um evento de lançamento de livro para se tornar um dos nomes mais conhecidos do rap brasileiro. Seu sucesso foi reconhecido com a indicação de Melhor Artista Internacional no BET Awards 2024.

Seja em um beat rápido de drill ou em um groove de R&B, Duquesa abraça tanto a bênção quanto a responsabilidade de sua reputação que não para de crescer: “Não tenho tempo (…) Eu tô preocupada em ficar rica esse ano / Todo mundo esperando meu próximo lançamento”. Sua carreira é guiada pela lenda Mano Brown, líder do icônico grupo de hip-hop Racionais MCs.

Ebony

Com um estilo impressionante de rimas e uma prosódia melódica, Ebony é um nome que não pode ser esquecido. Ela lançou dois álbuns nos últimos três anos, “Visão Periférica” (2021) e “Terapia” (2023), e continua sendo uma presença significativa na cena. Seja através de suas letras criativas em singles e colaborações com novos nomes como Urias e Carlos do Complexo, ou seu talento para entrar em debates acalorados no rap brasileiro, ela permanece relevante.

Um desses debates começou no final de 2023 com “Espero Que Entendam”. A faixa é uma poderosa crítica aos rappers masculinos: “Eu disse que tinha linhas, eu disse que tinha barras / Se eu começar a cuspir, eles tudo ficam de cara”.

MC Luanna

Natural da zona oeste de São Paulo, MC Luanna mistura o baile funk com rap e a essência rebelde do hip-hop clássico. O resultado é um som moderno e único, uma mistura de letras de “anti-herói” e uma entrega de flow descontraída.

Em seu álbum “44” (2022), MC Luanna fala sobre uma jovem negra enfrentando os desafios de São Paulo. Com rimas precisas, ela trata de temas de amor, amizades leais e superação de rivais com seus versos incríveis.

Monna Brutal

Nascida em Guarulhos, na grande São Paulo, Monna Brutal vem trilhando um caminho sólido no rap brasileiro. Seus quatro álbuns (de “9/11” em 2018 a “Vista Grossa” em 2024) mostram uma artista confiante com muito poder na fala.

Monna aborda artistas falsos, questões sociais e discriminação LGBTQIA+. Em “Hashtag”, ela solta um aviso poderoso: “Eu sou a chefa, sim, administrando rappers / Se tu bater de frentе, vai ser minha próxima track”.

Slipmami

Slipmami é uma rapper do Rio de Janeiro que combina personagens de anime e rimas precisas e provocativas. Seu álbum de estreia, “Malvatrem” (2023), é uma declaração feroz de uma garota que sabe o que quer, tanto na cama quanto nas ruas.

Em um dos seus clipes, a artista aparece com uma camiseta do Slipknot em sua conta do TikTok e cadarços coloridos. Não tem como Slipmami passar despercebida.

Tasha & Tracie

De descendência nigeriana, as gêmeas Tasha e Tracie estão definitivamente nas listas. Após um início gradual, elas conquistaram uma base de fãs dedicada que se sente completamente conectada à essência de sua música. Em “Cale-se”, uma canção de 2023, elas são polidas com um tom de rebeldia.

As irmãs fazem parte de uma nova geração de rappers femininas, deixando claro que sua presença e letras significativas não estão ali para serem ignoradas. Elas são uma força a ser reconhecida e estão moldando a próxima onda de artistas.

Sou do Rio e muito provavelmente estou na praia ouvindo alguma playlist de verão.