Um sotaque que embala melodias cheias de verdade, letras que transbordam sentimento e uma presença de palco com charme. Tiago Nacarato tem sido uma das vozes mais envolventes da nova geração de artistas da cena lusófona, e o Brasil, claro, já se apaixonou.
Em passagem pelo país com uma série de shows, o cantor português recebeu o Conexão POP para uma conversa que vai além da música. Ele falou sobre seu processo criativo, a transformação entre o primeiro e o segundo álbum, o impacto da cultura brasileira na sua arte e revelou o nome que ainda sonha em ter ao seu lado num estúdio: Caetano Veloso.

Tiago surgiu como um “outsider” com estética folk e pegada de indie europeu, mas rapidamente evoluiu para um artista difícil de rotular. E é justamente essa liberdade estética que o tornou tão único. “Não gosto muito de me definir… sou um canta-autor, um produtor frenético”, conta.
No papo, ele também lembrou com carinho dos palcos brasileiros, e colocou Brasília no topo da lista como público mais marcante da turnê.
O que mais mudou no seu processo criativo desde o lançamento do primeiro álbum até hoje?
Acho que muita coisa mudou. Continuamos fazendo amizades novas, conhecendo músicos novos, e isso sempre influencia o trabalho que vem a seguir. Também existe a procura constante por fazer coisas novas. No primeiro álbum, eu tinha um pouco de folk, um pouco de tudo, sempre fui eclético nos géneros que introduzo. Já no segundo álbum, busquei algo mais “groovy”, mais dançante, com outras figuras rítmicas. Acho que essa é a grande diferença entre um álbum e outro.
Você tem uma sonoridade muito particular. Como descreveria o seu estilo musical em poucas palavras?
Sei lá… não gosto muito de me definir. Sou muito eclético, então diria que sou um “canta-autor”, um canta-autor produtor frenético. Ainda não encontrei uma palavra que me descreva bem — não sei se isso é bom ou mau.

O público brasileiro tem uma forte conexão com a música portuguesa. Como tem sido a sua experiência fazendo shows no Brasil?
Vocês acham mesmo que o público brasileiro tem conexão com a música portuguesa? (risos) Eu acho que a conexão é mais com a cultura. Isso vem desde o início das invasões portuguesas. O samba canção e o fado têm muito em comum, e musicalmente a ligação entre Portugal e Brasil está no máximo agora. Existem muitas parcerias e participações acontecendo em massa. Isso é ótimo, porque o público brasileiro está mais habituado ao nosso sotaque e às estéticas que trazemos.
Há alguma cidade ou público brasileiro que te marcou especialmente?
Vou lhe dizer: nesses shows que fizemos, Brasília foi realmente maravilhosa. Belo Horizonte também. Os outros tiveram sua intensidade, como Salvador, mas Brasília… ficou em primeiro lugar.
Você já fez parcerias com grandes nomes da música lusófona. Como escolhe com quem colaborar?
Acho que é a canção que dita. Às vezes é a voz que imaginamos ali. Por exemplo: “Sol de Inverno” fiz com o Paulinho Moska, e foi um conto maravilhoso. O Fran gravou comigo “Areia Fina”. Lusofonia, para mim, é isso: conexões naturais. O Miguel Araújo sempre me deu muito no início da carreira, então fazer música com ele era um desejo e acabou acontecendo.
O Salvador Sobral foi num encontro à noite: ia mostrar uma canção e oferecer para ele, e ele disse “não, vamos gravar os dois”. Então é assim — ou imaginamos a voz na canção ou acontece na boemia, no acaso.
Para finalizar: há algum artista brasileiro com quem gostaria de gravar?
Caetano Veloso.
