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Destaque

Entrevista: Sticky Fingers anuncia retorno ao Brasil e encara de frente a própria história

Os StiFi retornam ao Brasil para quatro shows em agosto, com voz renovada, a alma exposta e saudades no coração. Confira os detalhes em papo exclusivo com Freddy Crabs!
RedaçãoRedação4 de maio de 2026
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Formada em Sydney no final dos anos 2000, a banda Sticky Fingers construiu uma carreira em torno de contrastes: o indie rock encontra o reggae, a melodia doce carrega letras amargas, e a energia da festa nunca ignora a ressaca do dia seguinte. Eles são, acima de tudo, artistas que sabem traduzir vulnerabilidade em arte. Agora, depois de um hiato inevitável, anunciaram o que seus fãs latino-americanos esperavam: uma turnê pelo hemisfério sul.

A novidade dessa jornada, porém, não é pequena. O grupo acaba de concluir o circuito pela América do Norte, iniciado em fevereiro, e, pela primeira vez, quem assumiu os vocais foi Claude Bailey, líder do Camino Gold. Substituir uma voz tão entranhada na alma da banda era um risco calculado – mas Claude correspondeu, conduzindo uma setlist que embalou a adolescência de toda uma geração. Ainda assim, Bailey não tentou imitar o passado. Entendeu que a memória não se refaz, se habita. E, sem querer ser ninguém além de si mesmo, apenas (en)cantou. 

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Um post compartilhado por Sticky Fingers (@stickyfingersband)

Ao longo da trajetória da banda, é inegável a busca pela verdade – consigo mesmos e com o público, sempre incorporando nas canções vivências de saúde mental e vício. Mas o que muitos não compreendem, Freddy Crabs revelou em papo exclusivo: “O que muitas pessoas não enxergam é que, nos bastidores, quando você está lidando com alguém com problemas de dependência e saúde mental, há brigas e mal-entendidos. E, sabe, é difícil. No final das contas, estamos sempre ali, conversando e sendo essa união que sempre fomos. Eu olho para todas as bandas que existem há anos e penso que elas provavelmente teriam terminado muito mais cedo se tivessem passado pelas coisas que passamos. Mas, por mais simples que pareça, somos apenas garotos, conseguimos superar as brigas muito rapidamente.” Essa abertura para abordar as próprias questões, sem filtro, é o que cria o elo raro. Não é perfeição. É resistência. E é essa conexão humana que mantém –  e manterá – uma legião de admiradores tão passionais.

“É um grande problema aqui na Austrália homens serem abertos sobre seus sentimentos e emoções. Isso resulta na bebida e nas brigas, e acabam não sendo pessoas muito felizes, e você perde amizades, perde as pessoas ao redor, torna-se solitário.” Crabs descreve uma realidade que atravessa continentes. O código masculino ainda prega dureza, falar de sentimento soa “molenga”. O preço, eles mesmos pagam sem piedade: solidão disfarçada de porre, e é nesse cenário que o Sticky Fingers sempre nadou contra a corrente.

Só que há um paradoxo que nenhuma rebeldia resolve: para continuar nadando contra a corrente, é preciso, de vez em quando, aprender a boiar. O hiato da banda não foi apenas uma pausa, mas um silêncio em que cada integrante precisou se reconciliar com sua essência. Foi nesse vazio que o célebre tecladista finalmente se sentou sozinho diante do instrumento e descobriu que tipo de melodia nascia quando não havia ninguém olhando. 

Durante nossa entrevista, Freddy mergulhou em seu primeiro projeto solo, “Good To Waste“, lançado em agosto de 2025. O hiato, para ele, foi menos um descanso e mais um confronto. “Foi quando eu comecei a escrever esse material. Eu já vinha pensando nisso antes, já queria fazer isso sozinho, mas nunca tive coragem de tentar de verdade”, revela. Com a ajuda de Izaac Wilson, engenheiro de som do álbum Lekkerboy, Crabs fez questão de apenas uma coisa. “Com certeza recebi muita ajuda dele, mas no que diz respeito à composição em si, eu queria fazer isso sozinho, isso é como um momento de ticar a caixinha, mas isso também te expõe.“

Emergir de uma trupe como o Sticky Fingers para um trabalho individual  impõe, antes de qualquer riff, o peso da expectativa alheia. O músico não romantiza essa pressão. “Uma coisa é que todo mundo me conhece nessa banda que eles querem ver, que é o Sticky, e recebemos essas mensagens o tempo todo perguntando quando voltaríamos e o que estava acontecendo“, conta. “Então, quando você começa a lançar sua própria música, você vê fãs que meio que falam: isso até que é legal, mas quando é que o Sticky volta? E eu fico tipo: bem, eu vou responder sua pergunta, mas por enquanto vou tocar a minha.”

Ele admite que precisou bloquear esse tipo de cobrança, mas entende que é natural – afinal, foi assim que as pessoas passaram a conhecê-lo. “Quando você de repente entrega coisas novas, eles ficam preocupados, pensando que o Sticky acabou e agora você está fazendo isso.” Ainda assim, descreve a experiência como “empolgante e assustadora“. Cantar sempre foi algo que fez como backing vocal na banda, mas assumir o papel de vocalista e compositor trouxe uma camada inédita. “Eu estava fazendo quase tudo sozinho. Eu quis ter certeza de que dessa vez não teria ninguém mais, como meu primeiro lançamento eu queria que fosse puramente eu.”

Nas entrelinhas do EP, revela-se uma geografia íntima que a persona de rockstar sempre escondeu: “A primeira coisa que você pensa é: o que é que você quer fazer que talvez não consiga expressar no Sticky? Eu cresci aprendendo um pouco de jazz, um pouco de soul. Um dos meus heróis, D’Angelo, faleceu recentemente, e eu amo muito aquela música, tipo Erykah Badu, Thundercat. Eu olho para essas pessoas, elas são músicos incríveis e criaram um padrão tão incrível de musicalidade.“

Freddy recorda que “Good to Waste” foi a primeira canção escrita, inspirada por Thundercat. “Eu só queria fazer uma música suja e safada e ver o que acontecia.” Depois de pronta, ele precisou de um ritual particular: em Sydney, os artistas se reúnem, festejam por horas e, na cozinha de alguém às 4 da manhã, pegam uma caixa de som portátil e mostram as músicas uns para os outros. “Precisei de alguns desses momentos para mostrar às pessoas um pouco do que eu vinha fazendo, e acho que elas ficaram tipo ‘se apressa e lança logo’. E acho que essa foi uma boa constatação da minha parte, quando eu estava mostrando para pessoas que eu amo, confio e respeito.“

A grande descoberta é que Freddy Crabs carrega um lado tímido, quase frágil – e agora se permite mostrá-lo. “Muitas pessoas me conhecem sem camisa e de shorts, correndo igual um idiota, então talvez eu possa sentar um pouco e tentar cantar com o coração e ver como é que vai ser. No fundo eu sou apenas a pessoa mais emotiva.” Essa mudança de postura, do arquétipo de jogador de rugby a cantor sentado ao piano, foi necessária. “Estou tentando não pensar no que as pessoas estão pensando, mas sim em como posso me fazer sentir. Contanto que eu esteja sentindo alguma coisa, o resto não importa muito, senão o resto não vai se conectar.“

Esse impulso de criar sem amarras não ficou restrito ao seu projeto pessoal. Durante a pandemia, sem turnês e com tempo de sobra, o grupo decidiu canalizar a energia em algo novo: o coletivo Westway. O selo, que hoje abriga o próprio Freddy, também lançou o terceiro álbum de uma banda chamada The Terry’s ou  como Crabs define: “uns garotos do rap da costa leste da Austrália, muito parecidos com o Sticky em certa medida, mas o vocalista canta com muita alma e coração“. 

“A beleza de onde estamos agora é que eu não poderia te dizer o que vem a seguir“, reflete. “Às vezes com o Sticky, agora com o Westway, você nunca sabe o que vai acontecer amanhã. E acho que isso te deixa animado quando acorda a cada dia. A vida é boa.”

Essa imprevisibilidade, no entanto, não apaga as certezas afetivas. A admiração do Sticky Fingers pelo Brasil sempre ocupou a casa de ensaios da banda. E Beaker Best, o baixista de mãe brasileira, nunca precisou traduzir o que sentia porque ali, naquela cozinha, saudades já era língua materna.  “Crescemos tocando na casa dos pais dele, no interior oeste de Sydney. Muitas vezes tínhamos celebrações na véspera de Natal lá. A feijoada era uma dieta estável, e a picanha estava presente nas ocasiões especiais. Beaker tinha muitos primos e familiares que sempre acolheram a banda, alguns que ainda são muito próximos. Acho que esse é outro ótimo recurso que encontrei com os brasileiros, eles são uma natureza acolhedora que realmente faz você se sentir parte da família.” 

E é nesse mesmo abraço que o Brasil se prepara para receber o Sticky Fingers. Na turnê recém-anunciada, quem abrirá os shows serão justamente os The Terry’s. Prepare-se: não veremos apenas um espetáculo, mas um reencontro com um pedaço da própria história, e a prova de que, mesmo sem saber o amanhã, há encontros que seguem sendo a única direção que vale a pena seguir. Ingressos disponíveis na Ticketmaster.

Serviço:

São Paulo — 6 de agosto (quinta-feira)
Espaço Unimed — Rua Tagipuru, 795, Barra Funda
Abertura: 19h | Show: 21h | Classificação: 16 anos
Pista: R$ 245 (meia) / R$ 490 (inteira)
Pista Premium: R$ 410 (meia) / R$ 820 (inteira)
Mezanino: R$ 420 (meia) / R$ 840 (inteira)
Camarote A e B: R$ 430 (meia) / R$ 860 (inteira)
Bilheteria oficial sem taxa: Shopping Ibirapuera — Av. Ibirapuera, 3103, Indianópolis

Curitiba — 8 de agosto (sábado)
Live Curitiba — R. Itajubá, 143, Novo Mundo
Abertura: 18h | Show: 21h | Classificação: 16 anos
Pista Lote 1: R$ 295 (meia) / R$ 590 (inteira)
Pista Lote 2: R$ 340 (meia) / R$ 680 (inteira)
Mezanino: R$ 360 (meia) / R$ 720 (inteira)
Bilheteria oficial sem taxa: Estádio Major Antônio Couto Pereira — R. Amâncio Moro, s/n, Alto da Glória

Rio de Janeiro — 11 de agosto (terça-feira)
Qualistage — Av. Ayrton Senna, 3000, Barra da Tijuca
Abertura: 19h | Show: 21h | Classificação: 16 anos
Poltronas: R$ 230 (meia) / R$ 460 (inteira)
Pista Comum: R$ 275 (meia) / R$ 550 (inteira)
Camarote C: R$ 345 (meia) / R$ 690 (inteira)
Camarote A e B: R$ 395 (meia) / R$ 790 (inteira)
Pista Premium: R$ 420 (meia) / R$ 840 (inteira)
Bilheteria oficial sem taxa (a partir de 25/4): Estádio Olímpico Nilton Santos — R. Arquias Cordeiro, s/n, Engenho de Dentro

Belo Horizonte — 14 de agosto (sexta-feira)
BeFly Hall BH — Av. Nossa Senhora do Carmo, 230, Savassi
Abertura: 19h | Show: 21h | Classificação: 16 anos
Arquibancada Prata: R$ 290 (meia) / R$ 580 (inteira)
Pista Lote 1: R$ 295 (meia) / R$ 590 (inteira)
Arquibancada Ouro: R$ 325 (meia) / R$ 650 (inteira)
Pista Lote 2: R$ 330 (meia) / R$ 660 (inteira)
Bilheteria oficial sem taxa (a partir de 25/4): Esplanada da Arena MRV — R. Cristina Maria de Assis, 202, Califórnia

por Luana Murakami

sticky fingers
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