Puterrier chega ao Rock in Rio 2026 em um momento de expansão. Se antes sua música era mais diretamente associada ao funk, o artista vem construindo uma identidade que mistura diferentes referências e amplia cada vez mais o público ao seu redor. No festival, ele sobe ao palco acompanhado de MC Carol e promete uma apresentação pensada para surpreender quem já conhece seu trabalho e também quem ainda vai descobrir sua música.
Em conversa com o Conexão POP, Puterrier falou sobre essa trajetória e explicou que encontrar sua própria sonoridade foi um processo que começou ainda na adolescência. Ele conta que lançou músicas desde os 13 anos, mas chegou a um ponto em que percebeu que os trabalhos não representavam mais quem ele era.
“Eu ouvia os clipes e ficava: ‘Caraca, não tem nada a ver comigo’. Quando eu tive 18 anos, comecei a observar mais, porque sempre gostei de música eletrônica e de funk. Também percebi que a música brasileira estava muito repetitiva e tinha muita cópia de gente de fora”, relembra Puterrier.
Confira a entrevista completa com Puterrier
Você vai subir ao palco do Rock in Rio com MC Carol. Onde você sente que as trajetórias de vocês se encontram artisticamente?
Eu acho que ela estava em um momento em que queria acertar uma porrada, principalmente porque está vivendo uma fase nova na carreira, também atuando. Eu sou fã da MC Carol tanto musicalmente quanto como atriz. Eu também estava na intenção de acertar uma porrada da forma que meus fãs queriam. Depois de “Farol Aceso”, que somou muito meu público mais pop, feminino e LGBT, pensei que estava na hora de mostrar que o Puterrier na veia ainda está aqui.
Ela é uma relíquia do funk e sempre fez músicas com críticas sociais. Essa música também tinha uma intenção de crítica, então tudo fez muito sentido. É uma faixa que eu consigo imaginar no repertório dela.


Como é para um artista que veio da Zona Norte do Rio ocupar um espaço como o Rock in Rio?
É muito doido, porque eu sempre pensei que esse lugar era para mim. Sempre imaginei isso e sempre tive essa confiança. Agora, olhando para tudo que aconteceu na minha vida, é muito maneiro. Eu fico feliz de lembrar de tudo que passei. Parece até uma temporada de série. Dá orgulho olhar para a trajetória e pensar no que eu não posso mais errar e no que posso melhorar. Eu gosto de revisitar essa história.
Você já teve medo de que um grande hit acabasse definindo sua carreira?
Já tive esse medo na época de “Marolento”, quando tive um hiato e fiquei um bom tempo sem lançar música. Mas, com o tempo, fui lançando outras músicas que deram certo, entendendo como o jogo funciona e pegando confiança. Hoje não tenho mais essa neurose.
Eu sei que tenho potencial e estou construindo um repertório muito bom. Só que reconheço que, quando sento no estúdio para fazer o que as pessoas querem, é mais fácil. Quando sento para fazer a minha maluquice, o negócio é mais difícil. Então sei que meus fãs querem ver o repertório do Puterrier, mas também preciso lançar projetos que talvez não batam tanto. No meio disso, intercalo com coisas que sei que o público quer. Essa é a minha estratégia.
Como você equilibra aquilo que quer fazer artisticamente com o que o público espera de você?
Minha neurose é às vezes querer fazer só o que eu quero e não dar resultado. E também só fazer o que o povo quer e não me construir como o artista que pretendo ser. Então quero fazer tudo meio a meio. É claro que também quero continuar fazendo dinheiro. Às vezes a gente pensa: “Vou lançar só aquilo que sei que vai bater para acumular mais”. Mas não é assim. Você pode ganhar 2 mil agora ou construir algo que vai valer muito mais lá na frente.
É mais fácil construir agora como artista, lançar algumas coisas que não batem e outras que batem, para lá na frente ter um repertório grande e que valha a pena contratar.
O que seu último álbum revela sobre o Victor que talvez o público ainda não conheça?
As pessoas sempre ficaram naquela de que eu tenho que lançar funk. Mas eu também gosto de ouvir música. Gosto de ouvir uma coisa louca, uma melodia, algo mais sentimental.
Eu também sou namorado, sou marido, sou pai. Esse é um lado que sinto que as pessoas não conhecem. Lancei esse álbum com a intenção de mostrar isso também. De fazer as pessoas pensarem: “Caraca, que versão é essa? Ele está cantando de um jeito mais melódico, falando que ama”. Eu queria que as pessoas conhecessem o Victor também. E tive referências de relações que vivi. Uma relação mais recente me deu, pela primeira vez, inspiração para fazer uma música romântica. Isso foi um diferencial.
O que você pode adiantar sobre as surpresas do show no Rock in Rio?
A Carol vai estar comigo, mas vocês não sabem ainda como será a participação dela. A forma como ela entra e sai vai ser um espetáculo teatral, unindo o jeito dela com meus vídeos. E vai ter muita energia.
Também vou focar mais na forma de cantar. No meu show normalmente tenho uma voz mais roqueira, mas no Rock in Rio quero prestar mais atenção nos vocais e fazer coisas mais interessantes. E também vai ter remix. Vou lançar um remix de K-pop lá, então isso é importante.
O dia do festival também terá Alok e Stray Kids. Você pretende aproveitar essa mistura de públicos?
Vai ser diversificado, papo reto. O evento já vai ser assim e meu público também. Quero ver como vai ser o Palco Favela, porque vai ter muita gente do trap e um público muito forte. Meu público talvez vá, mas existe um público que tem chance de ser meu para caramba. Tem gente do pop e pessoas que talvez nunca tenham me ouvido. Então vai ser uma apresentação para pegar geral.
Vai ter MC Carol, músicas antigas que eu vou puxar e também o remix. Talvez isso cause uma estranheza, mas de uma forma positiva. Para quem tem a mente aberta, vai ser muito bom. Vamos amassar.
