Quando entrei na ligação para falar com Poppy, sua voz doce e suave, pegaria de surpresa, qualquer um que desconheça suas músicas. A cantora norte‑americana de 30 anos passou pelo Brasil duas vezes em menos de um ano: primeiro no Knotfest Brasil em 2024 e, mais recentemente, abrindo os shows da turnê da Linkin Park pela América Latina em 2025, além de realizar um show solo em São Paulo que encerrou oficialmente sua última turnê.
Mas além de falar sobre sua passagem por aqui, o foco é que Poppy está prestes a começar um novo capítulo. Seu novo álbum, Empty Hands, chega às plataformas digitais no dia 23 de janeiro de 2026. Ela contou que o trabalho começou a ser gestado enquanto ainda estava em turnê, entre shows e viagens, o que, para ela, dá um sabor diferente às músicas.
Em entrevista exclusiva ao Conexão POP, Poppy falou sobre a emoção de encerrar um ciclo, a construção desse novo trabalho, sua relação com o público brasileiro e o que podemos esperar da nova era.
Há algumas semanas você esteve no Brasil. Eu estava no seu show em São Paulo e foi incrível, muito alto. Você encerrou a última etapa da turnê celebrando o álbum “Negative Spaces”. Como foi, emocionalmente, fechar esse capítulo e abrir espaço para “Empty Hands”?
Sinto que é muito empolgante. Eu sinto que estou pronta para isso. E parece o momento certo.
No ano passado você veio ao Brasil com o Linkin Park para um festival. Existe diferença entre aquela apresentação e seu show solo? Os fãs brasileiros são realmente os mais barulhentos?
Sim. Eu diria que Brasil e Chile têm os públicos mais barulhentos. E, sabe, na América, nós sempre ficamos empolgados para vir porque todos são muito cheios de energia e os shows são realmente ótimos.

Você fez esse novo álbum “Empty Hands” enquanto estava em turnê, certo?
Sim. A turnê do ano passado fizemos em algumas partes diferentes e em algumas cidades diferentes. Terminamos assim. E eu já conheço essas músicas há um bom tempo. Elas existem há bastante tempo. Às vezes essa é minha parte favorita na música, segurar algo por um tempo e saber que eu tenho aquilo antes de qualquer outra pessoa ouvir.
Eu acompanho você desde 2020 e percebi que você lança um álbum por ano. Como funciona o seu processo criativo?
Cada processo, para todos os meus álbuns, tem sido drasticamente diferente. Então é difícil dar uma única resposta que unifique todos. Mas, em relação ao Negative Spaces e como ele evoluiu, eu diria que tive um ano e meio inteiro de turnê tocando algumas daquelas músicas, e eu já sabia o que queria enfrentar depois disso. E eu estava considerando o formato ao vivo, turnê novamente, como seria tocar essas músicas nos shows enquanto fazíamos o Empty Hands. Era um assunto recorrente na sala, como essas músicas seriam tocadas ao vivo, imaginando isso.
Você teve um ano monumental, com indicações ao Grammy e colaborações diversas. Como essas interações influenciam seu processo artístico?
Acho que talvez, de forma inconsciente, elas me influenciem, mas quando estou na sala trabalhando em música, estou pensando apenas na música e no que é melhor para a música, e não em quem está ali comigo naquele momento.
O projeto e a canção foram muito importantes para mim, uma grande conquista, especialmente por conciliar a agenda de várias pessoas e ver como todos estavam realmente comprometidos com a música.
Sua discografia passa por pop, metal e rock. O que “identidade artística” significa para você hoje?
Eu sinto que estou sempre mudando. Eu amo aprender, experimentar, ler, ouvir audiolivros, ver filmes, ouvir meus amigos, ouvir pessoas que eu nem conheço, ouvir suas histórias. Acho que sou influenciada pelos entremeios, pelas áreas cinzentas. É como um smoothie: você coloca todos os ingredientes dentro e não sabe exatamente o resultado até ficar pronto.
Identidade é o seu carimbo, sua voz, sua aparência, a maneira como você fala, como você anda. Está nas coisas que você faz naturalmente e nem percebe. Sinto que estou sempre aprendendo e desenvolvendo isso.
Vi comentários online dizendo que existe um álbum seu que você não gosta. Isso é verdade?
Não acho que exista algo que eu simplesmente odeie ou não goste do que fiz. Mas existem coisas pelas quais não tenho mais tanto carinho ao longo do tempo. Tenho minhas reservas pessoais sobre por que me sinto de determinada maneira, mas isso não significa que outra pessoa não possa apreciar.
Digo isso porque as músicas dos álbuns “Zig” e “Flux” não estavam no setlist do show no Brasil. Por quê? Eu adoro músicas do “Flux”.
Às vezes o set é um pouco curto, ou o tempo disponível não permite tocar tudo. Agora, com o Negative Spaces, esse já é o meu sétimo álbum. Qual são suas favoritas?
Minha favorita é “So Mean” e “Her”.
Que ótimo! O processo de gravação daquele álbum foi o primeiro que fiz de um jeito totalmente diferente: com uma banda, na mesma sala, gravado em fita.
Houve muitas experiências novas ali. E foi o primeiro álbum gravado depois da pandemia. Eu gosto daquele álbum. Talvez algumas músicas voltem ao set em algum momento.
O novo álbum “Empty Hands” chega em janeiro. O que os fãs podem esperar dessa nova era?
Vocês podem esperar um álbum da Poppy. É uma viagem. Ele é feito de várias cores, com referências ao passado, ao presente e ao futuro. É muito mais colorido do que os dois singles que vocês ouviram até agora. Quando você olha para o trabalho como um todo, dá para ver todas as suas cores.
A nova turnê foi anunciada para 2026. O que as pessoas podem esperar dela? E você retorna ao Brasil?
Vamos ver. Seria divertido. Eu adoraria. Vai ter muita turnê no ano que vem. Mais anúncios estão chegando em breve. Acho que nos próximos dois meses teremos mais dois anúncios. Vou tocar Empty Hands para frente.