Direto de Portugal, o NAPA conquistou o mundo com uma mistura pulsante de indie rock, pop e eletrônica, e, claro, com o hit “Deslocado”, que virou trend, ganhou certificado de ouro e rodou o globo, chegando até a Indonésia.
A faixa, nascida de uma história real e feita com o coração, marcou um ponto de virada na trajetória da banda e agora, com os olhos voltados para o Brasil, eles conversaram com exclusividade com o Conexão POP sobre esse sucesso inesperado, a parceria com o Jovem Dionísio que acaba de chegar nas plataformas digitais e os planos para o futuro.
Banda fala sobre ascensão ao mundo
“Esses momentos vieram por fases”, contou a banda. “Primeiro foi aqui em Portugal, virou uma trend. Depois, quando fomos para a Eurovisão, teve esse impacto de participar lá e os países todos aderirem. A seguir da Eurovisão, essa trend passou para a Europa, em países tipo Itália, Espanha, França, Reino Unido. E depois disso viajou para o Brasil, numa outra fase também muito estourada lá. Na Indonésia também. Foi se espalhando à medida que foram passando os meses, e foi nos surpreendendo sempre no caminho. Cada país que ia entrando, nós ficávamos cada vez mais incrédulos com o que estava a acontecer.”
Musicalmente, o grupo não se prende a rótulos, e isso também ajuda a explicar seu alcance tão diverso. “Se calhar definiríamos como uma banda essencialmente de indie rock”, dizem. “Pelo menos é assim a nossa origem, e acho que passa muito por aí o nosso som: indie rock, indie pop. Mas gostamos também de beber muitos estilos diferentes, seja do rock, do hip hop, da eletrônica. Gostamos de ouvir muitas coisas diferentes que inevitavelmente inspiram e se canalizam para as nossas canções.”
Colaboração com Jovem Dionísio surgiu durante acampamento de composições
E foi desse caldeirão criativo que nasceu a colaboração com o Jovem Dionísio. A conexão veio de um writing camp em Lisboa com a Carol Biazin. O empresário dela, sugeriu que uma das músicas criadas ali tinha a cara do grupo curitibano.
“Já conhecíamos o trabalho deles e gostávamos”, lembram. “Então pensamos ‘vamos lá’. Ele mandou para eles, eles gostaram muito da ideia e construíram uma produção em cima da estrutura que tínhamos feito. Depois fomos trocando ideias do que poderia ficar bom ou mal, verso aqui, verso ali, refrão assim ou assado. Construímos tudo à distância, nunca nos conhecemos pessoalmente. E foi muito fácil, eles são muito boa onda e têm muitas referências em comum conosco.”
Depois de viverem o furacão de “Deslocado”, a pergunta que fica é: como lidar com as expectativas de repetir um sucesso tão grande? Segundo a banda, as músicas continuam vindo com a inspiração do coração.
“Estamos no processo de gravar o terceiro álbum, pensando nisso. Mas ‘Deslocado’ foi o que foi porque era real para nós. Foi uma história verídica e foi uma música que quisemos fazer do fundo do coração”, explicam. “Para nós, o importante é continuar a fazer isso, continuar a fazer as músicas em que acreditamos sem pensar em trends ou em sucessos de redes sociais. Pensar simplesmente nas músicas, no álbum como início e fim, e fazer aquilo que gostamos. O que vier daí virá. Estamos de alma limpa e consciência tranquila.”

E o Brasil? Está mais presente do que nunca nos planos da banda. Além da forte influência musical, que eles não escondem, há também um desejo claro de aproximação artística.
“Certamente [o novo trabalho] terá uma influência muito grande do Brasil. E talvez mais um featuring brasileiro também gostaríamos de fazer, mas ainda não conseguimos garantir nada”, contam. “Temos uma influência muito grande da música brasileira desde sempre. Sempre foi um sonho buscar um pouco desse mundo para a nossa música. Indiretamente, todas as nossas canções bebem desse legado da música brasileira, como Tom Jobim, Chico Buarque, Caetano. Estamos ligados ao Brasil por tudo o que a música brasileira já nos deu.”
E quando a pergunta foi: “Qual artista brasileiro contemporâneo vocês gostariam de ter no novo disco?”, os nomes são Julia Mestre, Zé Ibarra e Rodrigo Amarante. A expectativa de uma vinda ao Brasil também paira no ar. Não há datas fechadas ainda, mas está nos planos. “Ainda não temos nada planejado, mas estamos a tentar. Vamos fazer por isso porque gostaríamos imenso de ir aí. Durante o próximo ano, muito provavelmente, vamos passar pelo Brasil. Estamos em conversações, não está fechado, mas certamente vamos estar aí.”
E quando vierem, já têm até o roteiro dos sonhos: “Gostávamos muito de conhecer o Rio. São Paulo também. O Nordeste. Curitiba, já agora, com o Jovem Dionísio.”