Alinne Rosa vive um novo verão interno. A cantora, que acaba de lançar a primeira parte de seu álbum “Januário”, apresenta ao público uma versão mais madura, emotiva e profundamente conectada às próprias raízes. A segunda metade do projeto chega em dezembro, trazendo o clima de Carnaval e uma sequência de músicas mais dançantes, eletrônicas e solares.
Em conversa com o Conexão POP, Alinne contou que mergulhou em um dos processos criativos mais intensos de sua carreira. Pela primeira vez, participou da produção musical de forma integral. “Estou largalhada, dormindo e acordando pensando no disco”, disse, rindo. “Já tinha feito algo parecido, mas nunca tão profundo como agora. A gente está mergulhado mesmo nesse processo.”
A Bahia é o coração simbólico do álbum. Inspirada pelas paisagens, pelos símbolos de pertencimento e pelos afetos que cercam o estado, a artista traduziu o cotidiano baiano em música. “Muita gente ama a Bahia e gostaria de estar aqui. Quem está fora queria estar de volta”, explicou. Ela lembra que buscou transformar sensações em letra: “Eu quero tudo que é leve, quero tudo que é mar, quero ensaio do cortejo, quero mergulho de abadá.”

Muitas canções apresentam um aspecto de cura, reconexão e leveza, especialmente a faixa “Obrigada”, que Alinne destaca com carinho. “Tudo pode salvar a gente, sabe? Uma música, um texto no Instagram, o sorriso de um estranho na rua. As pessoas às vezes nem percebem isso.” Segundo ela, essa música sintetiza o espírito da primeira fase do projeto.
“Januário” também marca o fim de um ciclo difícil. Após sete anos sem lançar um trabalho dessa magnitude, Alinne falou com sinceridade sobre o período em que enfrentou depressão. “Imagina viver um momento de depressão. Você acaba se virando muito para dentro”, relembrou. O renascimento veio com o tratamento adequado: “Quando encontrei um tratamento que deu certo, comecei a me sentir viva de novo. Aí eu quis aproveitar tudo. Estou me sentindo viva, artista, tá muito gostoso sentir isso.”
Entre experimentações e alegria, a cantora também brinca com referências culturais, como na faixa “Wagner Moura”, um reggae leve inspirado no ator. “Esse homem é o crush do Brasil, e é baiano”, disse, divertida. “Comecei a pesquisar tudo dele, reunir falas, histórias. Virou um reggae cômico, mas que também fala do nosso molho baiano.”
Com o verão chegando, Alinne se prepara para uma maratona de apresentações. O tradicional Bloco Vale, em Salvador, seguirá como ponto alto da agenda. “O bloco Vale esgota todos os anos, é uma experiência única”, contou. Sobre os bastidores da rotina carnavalesca, ela reforça a importância do preparo físico: “Fono junto, otorrino junto, todo suporte. São muitas horas cantando. Corpo e mente precisam estar fortes.”
Com sinceridade, baianidade e uma criatividade reacendida, Alinne Rosa dá início a um capítulo luminoso de sua trajetória. “Estamos fazendo tudo com tanto carinho e cuidado que acho que vai ficar muito lindo. Quero deixar um beijo para todo mundo. A gente se encontra por aí.”
