O cantor Bad Bunny encerrou a sua primeira passagem pelo Brasil no último sábado (21). O astro se apresentou duas vezes no Allianz Parque, na capital paulista, com ingressos esgotados.
A primeira vinda do porto-riquenho ao país contrasta com o auge de sua carreira. Pode-se dizer que Benito é um dos principais nomes da música da atualidade: vencedor do Grammy do Álbum do Ano com “Debí Tirar Más Fotos”, artista mais ouvido do mundo no Spotify e ainda detentor de diversos recordes na Billboard 10 e 100.
Além disso, foi coroado como atração do Super Bowl 2026, maior evento esportivo dos Estados Unidos, sendo o primeiro latino a se apresentar sozinho no palco da final em uma performance quase completa em espanhol.
Bad Bunny comandou uma verdadeira festa latina e uma união entre o país e Porto Rico. No Allianz Parque, os fãs dançaram, cantaram e demonstraram um carinho gigantesco ao cantor, que pareceu emocionado quando a plateia gritava o seu nome calorosamente. Nem mesmo a forte garoa que caiu no final do dia atrapalhou o entusiasmo.
E não apenas de brasileiros, os dois shows do cantor em São Paulo foram marcados pela forte presença de fãs de outros países, de Porto Rico, Argentina, Estados Unidos, Peru, entre outros da América do Sul.
Na primeira interação da noite, Bad Bunny afirmou que viveu uma das melhores noites de sua vida em São Paulo. “Acho que hoje vai ser ainda melhor, já que estamos encerrando minha primeira passagem pelo Brasil”.
Nas duas horas e meia de show, com 30 músicas no repertório, o público ficou imerso ao encanto de Benito. A estrutura da turnê, que veio completa ao Brasil, permitiu que todos os presentes assistissem a performance de forma próxima do artista. Dividido em três atos, Bad Bunny transitou entre o palco principal, perto dos setores pista premium e ‘Los Vecinos’ e na Casita, no final da pista comum, também contemplando a visão de quem estava nas cadeiras.
O setlist contou com canções do seu aclamado disco, além de músicas do “Un Verano Sin Ti”, de 2022, “YHLQMDLG”, de 2020, e hits como “Monaco” e feats como “Yo Perreo Sola”, “No Me Conece”, entre outras.
O primeiro ato já iniciou catártico. Às 20h20, os fãs acompanharam o vídeo de abertura ao som de “MuDANZA”, que mostrou que a noite seria uma grande festa em São Paulo. O público vibrou quando ele entrou no palco, momento que se repetiu em quase todas as trocas de músicas.
Em ‘TURista”, ele se emocionou com a surpresa feita por fãs, que iluminaram o estádio com as cores da bandeira de Porto Rico. E nesse momento, o astro disse algumas palavras em português:“Eu quero falar português. Eu vou ficar aqui para sempre”.
A primeira parte do ato foi reservada para os sucessos do “Debí Tirar Más Fotos”, com performances de “PiToRRO DE COCO”, “WELTiTA” e “TURISTA”. Foi durante o hit “BAILE INolVIDABLE” que o estádio veio abaixo: os fãs se divertiram como se estivessem em uma festa. Depois disso, a plateia já estava entregue ao show. Benito emendou em sequência outro grande hit :”NUEVYol”, levando mais uma vez o estádio à loucura.
E essa sensação permaneceu durante outros momentos da noite. Durante o baile do porto-rinheiro, a energia não se perdeu. Benito foi acompanhado em cada nota, em cada ritmo, com todos se impressionando com o seu talento, que fez uma grande apresentação sem muitas dificuldades. O seu carisma acompanhado de um setlist bem montado fez com que ele fizesse um show histórico da forma mais natural possível.
Depois de um primeiro ato estratosférico, o segundo ainda conseguiu se melhor. Na famosa ‘Casita’, um cenário que remete à cultura e características de Porto Rico, o baile de Bad Bunny ganhou mais força. Com uma jaqueta usada por Pelé na Copa do Mundo de 1966 e Havaianas nos pés, ele revisitou trabalhos anteriores em outra sequência de grandes sucessos, como “Titi Me Perguntó, “Neverita, “Me Porto Bonito”, “Efecto” e “MONACO”.
Ele ainda chamou uma participação especial. A porto-riquenha Rainao cantou com Benito o feat “PERFuMITO NUEVO”. Além disso, separou outro momento único: em cada apresentação, uma canção diferente é tocada. Na noite de sábado, Bad Bunny escolheu “Te Bote (remix)”, muito celebrada por quem estava no show.
Mais perto da plateia, o cantor desceu até a grade, cumprimentou diversos os fãs, desenhou no braço de uma jovem, tirou foto e recebeu o carinho tradicional dos brasileiros com os artistas. Ainda abraçou a escolhida para gritar o famoso “ACHO PR ES OTRA COSA”.
Ainda na Casita, ele agradeceu novamente a recepção calorosa que recebeu: “Obrigado a todos que estão comigo desde o início. Sem vocês, eu não estaria aqui”. Ele ainda afirmou que sentia uma energia única no Brasil.
No terceiro ato, o público seguia em êxtase. Além de hits, a produção contribuiu para uma experiência única. Um belo jogo de câmeras, luzes, fogos de artifício e um telão que dava a impressão de que você estava vendo tudo no cinema.
O final do show foi reservado para canções como “Ojitos Lindos”, KLOuFRENS”, “El Apagón”, “DÁKITI”, e outras. Mas foi em “DfMF” que o estádio pulsou, protagonizando um dos momentos mais bonitos da noite. As pessoas pularam, se abraçaram e curtiram a música mais ouvida de 2025. Bad Bunny ainda fez um discurso sobre a realização desse sonho: “Obrigado por realizar o sonho que tenho desde criança”.
Ele ainda falou sobre o amor, emocionando a plateia “O que podemos fazer é aproveitar o momento agora. Enquanto a gente estiver vivo, devemos amar o máximo que puder. Ama sem medo, Brasil, ame a si mesmo, valorize as pessoas que te amam e valorizam do jeito que você é”. Benito encerrou a passagem na América do Sul cantando “EoO”, fazendo novamente o público dançar.
Não é simples para um artista manter a audiência completamente envolvida em uma performance. Mas Bad Bunny conseguiu fazer tal fato com uma facilidade surpreendente. Em uma era onde o público parece mais preocupado em gravar do que curtir o espetáculo, é raro manter todos imersos de coração e alma no concerto.
E isto aconteceu nos shows do porto-riquenho. Todos viveram a experiência de uma apresentação histórica, e que será comentada por muito tempo, devido a sua magnitude de sentimento: uma grande festa com seus amigos, companheiros e até desconhecidos. Bad Bunny pode dizer com tranquilidade que fez a união entre Brasil, Porto Rico e América Latina.
A carreira de Bad Bunny
Mesmo com uma carreira de sucesso, Bad Bunny demorou para cair no gosto dos brasileiros. A música do porto-riquenho ganhou forças no país somente ano passado, com o lançamento de “Debí Tirar Más Fotos”, e sobretudo pelo hit “DtMF”, canção que viralizou nas redes sociais.
O sexto álbum da carreira do músico foi a sensação do ano ao misturar elementos latinos. Na produção, o cantor incorporou ritmos tradicionais da América Latina, como salsa, plena e bolero, assim como os já conhecidos reggaeton e o rap.
Além de rico sonoramente, o disco é um manifesto cultural e político sobre Porto Rico. Bad Bunny é conhecido por se posicionar contra as políticas anti imigratórias dos Estados Unidos. Os shows mostraram que público passou a se acostumar o espanhol e elementos diferentes das canções brasileiras.

