O último ano da vida da cantora e compositora britânica Lola Young foi um turbilhão de conquistas, prêmios e estreias. Especialmente desde que a faixa pop com influência de rock retrô, “Messy”, viralizou no TikTok no fim do ano passado.
Como demonstra seu primeiro hit número 1, a artista do sul de Londres tem um talento especial para letras vulneráveis e memoráveis, que capturam os desafios de ser uma jovem mulher lidando com questões de saúde mental e pressões sociais. Ela se junta ao time de mulheres do pop “imperfeitas e reais”, como Chappell Roan, Charli XCX, Sabrina Carpenter, Olivia Rodrigo e Remi Wolf, com uma voz única, que pode soar feminina, rouca ou quase falada, sempre cheia de textura e alcance.
O sexto single do segundo álbum aclamado pela crítica, This Wasn’t Meant For You Anyway, “Messy” foi sua primeira faixa a entrar nas paradas e também seu primeiro número 1 tanto nos Estados Unidos quanto no Reino Unido. Ainda assim, Lola compõe músicas intensas e segue carreira desde os 14 anos. Aos 18, Lola assinou com a Island Records e iniciou uma fase prolífica de lançamentos, refinando cada vez mais sua arte.
Mesmo com a agenda agitada que veio com a fama viral, incluindo uma sequência de festivais que começou com o Coachella este ano, a cantora de “One Thing” já tem outro álbum pronto. Com lançamento marcado para 19 de setembro, I’m Only F**king Myself promete marcar uma nova fase da artista.
Lola Young não é uma estrela instantânea
“Vir de uma família artística foi realmente útil porque eles entendiam que música é um trabalho real, que eu posso ganhar dinheiro com isso. Eu nunca tive um plano B”, contou Young ao The Telegraph em fevereiro de 2022.
Lola cresceu em um lar musical em Beckenham, no sul de Londres, com a mãe e o padrasto baixista profissional, que organizavam noites de salsa juntos. A mãe da artista sempre tocava música em casa e a matriculou em aulas de piano, violão e canto aos 6 anos. Aos 14, a cantora de “Good Books” entrou na famosa BRIT School, a mesma frequentada por Amy Winehouse e Adele.
Foi um período decisivo quando Lola começou a compor e gravar compulsivamente, além de se apresentar em noites de microfone aberto. Aos 15, ela venceu 9.000 concorrentes no Open Mic UK e logo conheceu o empresário Nick Shymansky, que não trabalhava com artistas desde a parceria com Winehouse no início da carreira dela.
Em 2019, Young assinou com a Island Records e lançou o primeiro single e EP. Em seguida, lançou o segundo EP, Renaissance, logo no início da pandemia, e depois uma sequência de singles até chegar ao álbum de estreia, My Mind Wanders and Sometimes Leaves… em 2023. Nesse período, ela foi indicada como Rising Star no Brit Awards 2021.
Lola considera “Messy” uma das suas melhores músicas
“‘Messy’ é uma ótima introdução. É cru, honesto e resume muitos dos temas do álbum. Fala sobre abraçar imperfeições e encontrar força em quem eu sou. Essas letras são, na minha opinião, algumas das minhas melhores”, disse Young ao Atwood Magazine no ano passado.
No hit, ela canta: “Não sou magra / e faço minhas loucuras toda semana / Mas me dá um tempo / quem você quer que eu seja? / Porque sou bagunçada demais / e às vezes certinha demais.”
“Messy” cresceu devagar até explodir no TikTok após Sofia Richie Grainge, filha de Lionel Richie, aparecer curtindo a música em um vídeo com o influenciador Jake Shane. A faixa acumulou milhões de streams em semanas, alcançando o topo das paradas nos EUA e no Reino Unido, onde Young se tornou a primeira artista britânica a ocupar o nº1 desde Adele em 2021.
O single também lhe rendeu o prêmio Rising Star no Ivor Novello Awards 2025, além de indicações para Melhor Canção e Melhor Álbum. No mesmo ano, Lola voltou ao BRIT Awards, performou a faixa e concorreu como Best Pop Act.
Letras sem filtros são sua marca registrada
“Mulheres estão defendendo o que acreditamos. Estamos dizendo: ‘f***-se, não vamos nos conformar a certas ideologias’, e isso está ressoando não só com mulheres, mas com homens também”, afirmou à Elle UK.
Assim como sua colega de indústria Sabrina Carpenter, muitas de suas letras exploram relações tóxicas e personagens masculinos problemáticos. Em “Conceited”, de 2023, ela dispara: “Disse que me amava / mas na verdade está falando sozinho.”
Já em “Big Brown Eyes”, Lola aposta na autodepreciação com um clima surf rock dos anos 70: “E eu poderia ter qualquer outra pessoa / mas eu amo o que eu gosto. / Pode me chamar de vaca / se você disser / com seus grandes olhos castanhos.”
Com This Wasn’t Meant For You Anyway, Lola abraçou de vez a confusão dos 20 e poucos anos, com composições ainda mais íntimas e sem medo de julgamentos. “É mais confiante, mais honesto e um pouco mais sem desculpas, embora eu sempre tenha sido assim nas minhas letras”, disse ao Atwood Magazine.
Novo álbum de Lola Young a trouxe cura
À The New York Times, a artista revelou que I’m Only F**king Myself a mostra “saindo do meu próprio ciclo de autossabotagem”.
Grande parte do disco foi escrita em Paris, em parceria com os produtores Manuka e Solomonophonic, e gravada no lendário Electric Lady Studios em Nova York. Ela já trabalhava com Manuka desde 2019 e encontrou em Solomonophonic, que já colaborou com SZA, Remi Wolf e Reneé Rapp, uma parceria criativa inspiradora.
Diagnosticada com transtorno esquizoafetivo ainda na adolescência e, mais recentemente, com TDAH severo, Young vê a música como válvula de escape. As batalhas da artista com o uso de substâncias e a busca por sobriedade também aparecem nas letras, como em “Dealer”, música que chamou a atenção de Elton John, que a descreveu como “o maior smash que ouvi em anos”.
Sobre o novo projeto, ela contou à Elle UK: “Todas as músicas se conectam a mim de alguma forma. O álbum conta a história de tudo que vivi nos últimos anos — descobertas, ameaças e o que pode me derrubar.”
Lola Young tem cautela com a fama
Young e seu empresário sabem que a fama pode afetar sua saúde mental. “A ética de trabalho dela é incrível, mas inevitavelmente haverá momentos em que não conseguirá conciliar tudo”, disse Shymansky ao NYT.
A cantora reconhece a sorte de viver da música, mas admite temer os efeitos da fama: “As pessoas te tratam diferente. Elas já sabem quem você é antes de você entrar. É estranho. Você precisa saber em quem confiar, quem vai te dizer quando você está sendo uma p***”, revelou à Elle UK.
Mesmo assim, a artista valoriza o alcance que conquistou, especialmente para falar sobre saúde mental com honestidade. “As pessoas não veem o que acontece nos bastidores. Ainda tenho dias ruins, mas através da música sempre encontro alegria. As duas coisas podem coexistir. Se penso na minha criança interior, a menina que tocava violão aos 14, sei que ela ficaria chocada, mas orgulhosa. Tento sempre voltar a isso: esse é o meu sonho, e eu tenho que continuar.”

