Formada pelos irmãos Lóren Aldarondo (25), Wester Aldarondo (23) e Willy Aldarondo (29), ao lado de Adrián López (23), a banda porto-riquenha Chuwi vive um momento de transformação na carreira. Após abrir os shows de Bad Bunny no Brasil, o grupo conversou com o Conexão Pop sobre suas origens no oeste de Porto Rico, a construção de sua identidade musical e os bastidores da colaboração que ampliou seu alcance internacional.
Ao tentar definir o som da banda, Lóren resume de forma criativa: “É um projeto de novidades, alternativas futurísticas… nós gostamos de chamar de ‘chuicor’”. A definição reflete a proposta do grupo, que mistura referências tradicionais caribenhas com experimentações contemporâneas. Criados no oeste da ilha, em cidades como Isabela e Mayagüez, os integrantes cresceram em um ambiente mais tranquilo, algo que, segundo eles, influencia diretamente o processo criativo.
“No oeste tudo fecha cedo, não há muitas festas até tarde. É um ritmo de vida mais lento. Você pode estar na praia a dez minutos de casa”, conta Wester. Para a banda, essa rotina mais calma permite reflexão e conexão com as próprias ideias.
A música sempre esteve presente na vida dos quatro integrantes. Willy lembra que a formação musical começou ainda na igreja. “Lá se toca merengue, plena, de tudo. Em Porto Rico também há muita tradição nas parrandas de Natal. Desde pequenos estivemos rodeados de música.” A espiritualidade, inclusive, segue como um tema recorrente nas composições. “Dentro de circunstâncias impossíveis, entra a fé, a esperança de acreditar em algo maior e desejar mudanças”, explica.
A grande virada na trajetória da Chuwi aconteceu em 2024, quando o time de Bad Bunny entrou em contato com o empresário da banda para propor uma colaboração. “Pensamos que era mentira”, admite Willy. Na época, o grupo era conhecido principalmente em Porto Rico. O processo começou com trocas de ideias e arquivos à distância, até que, meses depois, veio o encontro no estúdio.
“Falamos muito no primeiro dia, quase não fizemos música”, relembra Willy. “Mas no final ele mostrou o primeiro demo e disse que nos via naquela faixa.” A banda pediu liberdade para participar também da produção, algo essencial para eles, que costumam produzir o próprio trabalho. “Colocamos muitos instrumentos, muitas ideias. Até achamos que talvez ele não fosse gostar”, conta Adrián. O resultado, no entanto, agradou e se transformou em uma construção coletiva marcada por troca criativa e entusiasmo. “Foi muito especial, algo que não vamos esquecer”, resume Lóren.
Com a colaboração, vieram turnês internacionais, reconhecimento e uma agenda intensa, incluindo apresentações no Brasil e na Austrália. “Às vezes é abrumador, às vezes estressante, mas o sentimento mais forte é a gratidão. Estamos vivendo coisas que nunca imaginamos”, afirma Willy.
A passagem pelo Brasil, aliás, deixou uma marca profunda no grupo. Adrián destaca a energia do público brasileiro como um dos pontos mais marcantes da experiência. “O que mais amei foi a felicidade pela vida. As pessoas se expressam sem medo, estão sempre celebrando.” Ele também ressalta a conexão cultural, mesmo com a diferença de idioma. “É um país latino-americano, mas fala português. Mesmo assim conseguimos nos entender pela vibração. Foi único.”
Ao final da entrevista, a mensagem foi direta e calorosa: “Obrigado, Brasil, por essa energia e essa acolhida.”

