O crescimento do uso de inteligência artificial no setor produtivo brasileiro é inegável. Segundo dados do IBGE, o número de empresas industriais que adotaram IA saltou de 1.619, em 2022, para 4.261, em 2024, um aumento de 163,2% em dois anos. Mas velocidade de adoção e qualidade de implementação raramente andam juntas, e é justamente nessa lacuna que mora o risco.
Luciana Braga, CTO e sócia da Blinmy, consultoria especializada em transformação digital, chama atenção para um episódio que se tornou símbolo dos limites éticos da tecnologia: no Cannes Lions 2025, o Grand Prix de Creative Data foi retirado de uma agência brasileira após a organização constatar que a empresa havia usado IA para simular resultados de uma campanha real. “O caso virou um marco. Mostrou que o mercado não aceita mais IA usada para enganar, mesmo que o produto final pareça sofisticado”, afirma.
Para endereçar esse cenário internamente, a Blinmy desenvolveu o que chama de “O Jeito Blinmy de Usar IA”, um guia com diretrizes práticas para que as equipes adotem a tecnologia sem abrir mão da responsabilidade. O documento parte de um princípio: antes de automatizar qualquer processo, é preciso mapeá-lo. “Você não pode usar IA para acelerar um processo que você não entende. O risco é escalar um erro”, explica Luciana.
Entre os pilares do guia estão a revisão humana obrigatória das entregas geradas por IA, a proteção de dados dos clientes, o respeito a direitos autorais e a atenção constante a possíveis vieses nos modelos. A transparência com os clientes sobre quando e como a IA é usada também aparece como diretriz inegociável.
Luciana resume a filosofia da empresa em uma frase que sintetiza bem o que ela chama de maturidade digital: “Maturidade em IA não é usar mais tecnologia. É saber quando usar, como usar e, principalmente, quando não usar.”





