A confirmação de Marilyn Manson no The Town 2027 para o dia 4 de setembro já movimenta as redes sociais, e a organização do festival foi a público explicar a decisão. De acordo com a produção, a vinda do artista não foi uma escolha isolada: Manson faz parte do pacote de turnê com o Slipknot, que também está confirmado na mesma data.
“É um artista muito bom, que a gente gosta muito e que vem junto com o Slipknot dentro desse pacote da turnê deles”, afirmou Zé Ricardo, vice-presidente artístico da Rock World, em entrevista à Folha de São Paulo.
As acusações e a posição do festival

A última passagem de Manson pelo Brasil foi há dez anos, antes de uma série de acusações públicas de abuso feitas por mais de uma dezena de mulheres, incluindo as atrizes Evan Rachel Wood e Esmé Bianco, ex-namoradas do cantor. As denúncias envolviam estupro, abuso sexual e psicológico, coerção, violência e intimidação.
Na Justiça americana, Manson foi condenado apenas uma vez, em 2023, a cumprir 20 horas de serviço comunitário e pagar uma multa por ter assoado o nariz em uma cinegrafista. Outros casos foram encerrados por acordos ou pelos próprios tribunais.
Sobre o histórico, Zé Ricardo foi direto. “É um cara que não foi condenado, não tem uma coisa provada. São histórias que absolutamente não fazem parte de nada do que a gente acredita, mas nesse momento ele é um artista que estará em turnê pelo mundo.”
O executivo também esclareceu que a Rock World já deixou de contratar artistas por razões semelhantes, mas faz uma distinção entre casos comprovados e acusações sem condenação. “Nós já deixamos de trazer artistas porque foram coisas concretas, em que ele foi julgado, condenado e tem um peso na história dele isso acontecer. Mas a gente também não pode pré-condenar uma pessoa sem prova.”
Sobre o possível boicote

Questionada sobre a reação negativa do público nas redes sociais, a produção do The Town demonstrou confiança na decisão. “Somos muito seguros do que fazemos, do nosso line-up. A opinião do nosso público é muito importante, mas não dá muito para levar em consideração tudo que se fala nas redes sociais. As redes têm coisas de amor, mas também visões míopes do que a gente apresenta enquanto festival”, afirmou Zé Ricardo, que ainda comparou a situação com críticas recebidas pelo Rock in Rio: “Você vende 680 mil ingressos e as pessoas dizem que estava vazio.”
