Taylor Swift revisitou diferentes momentos de sua trajetória em uma conversa especial para o Grammy Museum, intitulada The Icon Sessions with Taylor Swift: A 20-Year Retrospective. Gravada no Clive Davis Theater, em Los Angeles, a sessão reúne quase 50 minutos de depoimentos da cantora ao lado de Harvey Mason Jr., CEO da Recording Academy.
A conversa percorre desde os primeiros passos de Taylor como compositora até a construção de uma das discografias mais influentes da música pop contemporânea. Aos 10 anos, segundo a própria artista, ela já pesquisava como poderia fazer música profissionalmente e chegou a transformar o Bluebird Cafe, em Nashville, em uma meta pessoal depois de descobrir que Faith Hill havia sido revelada no local.
Para Taylor, a composição sempre esteve ligada à necessidade de preservar experiências, e não de esquecê-las. “Eu nunca recorri à música para esquecer a minha experiência humana. Eu recorri à música para lembrar dela”, explica. Ela conta ainda que sempre foi atraída por consequências, riscos e pela passagem do tempo, elementos que aparecem com frequência em suas narrativas.
Da música country ao pop
Um dos pontos discutidos na retrospectiva é a transformação sonora de Taylor ao longo dos anos. A artista relembra como Red representou um momento de experimentação, trabalhando com diferentes produtores, enquanto 1989 marcou uma mudança mais deliberada em direção ao pop.
Segundo Taylor, sua evolução musical acompanhou as próprias transformações pessoais. “Eu levava comigo a minha dedicação a ser uma compositora confessional”, afirma, explicando que, embora os detalhes de sua vida mudem, é a significância emocional dessas experiências que permite que suas músicas encontrem conexão com outras pessoas.
Ela também fala sobre a importância de não fazer movimentos laterais criativamente e cita a colaboração com Max Martin e Shellback em “I Knew You Were Trouble”. A música, que originalmente era uma balada de piano, ganhou uma produção marcada pelo dubstep depois que os produtores sugeriram uma direção completamente diferente da imaginada por Taylor.
A relação com os fãs
A participação do público na trajetória de Taylor também aparece como um dos temas centrais da conversa. A cantora destaca que algumas de suas músicas ganharam novos capítulos justamente porque os fãs demonstraram interesse por elas.
É o caso de “All Too Well”, que nunca foi single de Red, mas ganhou força entre os fãs, chegando a ser apresentada no Grammy após pedidos do público. Anos depois, a música ganhou a famosa versão de dez minutos e um curta-metragem.
O mesmo aconteceu com “Cruel Summer”, de Lover. A faixa foi resgatada pelos fãs durante a Eras Tour, anos depois do lançamento do álbum, e acabou sendo lançada como single posteriormente.
Taylor’s Versions e a retomada de seu catálogo

Taylor também falou sobre o processo de regravar sua antiga discografia, iniciativa que deu origem às chamadas Taylor’s Versions.
Segundo a artista, o projeto começou como uma espécie de desafio. Ao regravar as músicas, ela percebeu que poderia manter as composições fiéis às versões originais, mas melhorar a qualidade sonora e, principalmente, recuperar o controle sobre seu próprio trabalho. “Agora que eu recuperei toda a minha música, eu sou dona de tudo o que eu já fiz”, afirma Taylor durante a conversa.
A compositora que continua em transformação

Ao olhar para sua carreira, Taylor reconhece que muitos dos elementos presentes em “Tim McGraw”, seu primeiro single, continuam fazendo parte de seu processo criativo duas décadas depois.
A artista também afirma que, com o passar dos anos, passou a valorizar ainda mais suas raízes country e a influência de Nashville em sua formação musical.
No encerramento da conversa, a cantora deixa um conselho para outros compositores: continuar trabalhando mesmo quando a inspiração não aparece e manter uma postura aberta à colaboração. “O entusiasmo pode te proteger de qualquer coisa. Eu sei do que estou falando”, conclui.
A retrospectiva ainda inclui uma performance acústica em que Taylor explica a criação de mashups durante a Eras Tour, escolhendo músicas a partir de temas ou emoções em comum.
