Interpretar Michael Jackson exige muito mais do que dominar o moonwalk ou reproduzir alguns dos movimentos que entraram para a história da música. Para Lenny Jay, que há anos se dedica a levar a obra do Rei do Pop aos palcos, o verdadeiro desafio está em fazer com que voz, dança, energia e presença aconteçam ao mesmo tempo de maneira natural.
Em conversa com o Conexão POP, o artista falou sobre a responsabilidade de assumir essa homenagem e sobre o cuidado para não transformar o espetáculo “This Is Michael” em uma simples reprodução. A proposta é celebrar a obra de Michael e, ao mesmo tempo, encontrar novas maneiras de apresentá-la ao público.
“Meu objetivo a cada noite é me conectar com o público e fazer com que a música, a dança e a mensagem que Michael queria transmitir continuem presentes”, afirma Lenny Jay.

Muito além da imitação
A comparação com Michael Jackson é inevitável. Afinal, o artista tinha uma presença de palco difícil de reproduzir e construiu uma identidade que influenciou gerações. Para Lenny, porém, tentar separar a performance em apenas um elemento seria simplificar demais o trabalho.
“Focar em um aspecto somente pode ser fácil, mas juntar todos requer muita dedicação e treino, pois a exigência física e mental é grande. Cada detalhe exige estudo aprofundado e atenção focada”, explica.
É justamente nessa combinação que está o trabalho mais complexo. Voz, coreografia, interpretação e energia precisam se encontrar sem que o esforço apareça para quem está assistindo.
“O objetivo é fazer com que tudo flua de maneira natural para que o esforço seja imperceptível”, completa.

Essa preocupação também aparece na construção de “This Is Michael”. O espetáculo chegou a ser pensado inicialmente como uma reprodução de uma turnê específica, mas a resposta do público acabou mudando os rumos da apresentação.
“A reação do público sempre foi nosso maior termômetro. Percebemos que algumas músicas funcionavam melhor que outras e, dessa forma, o próprio show foi se moldando até chegar no formato que apresentamos atualmente”, conta Lenny.
A escolha abriu espaço para que o espetáculo pudesse se renovar ao longo dos anos. O repertório também permite incluir versões e músicas que Michael Jackson nunca chegou a apresentar ao vivo, criando uma experiência que não fica presa a uma única fase da carreira do artista.
Uma noite ainda mais especial
A próxima apresentação ganha um significado particular por acontecer em uma data simbólica para os fãs: 29 de agosto, dia em que Michael Jackson completaria 68 anos.
Para Lenny, subir ao palco nessa ocasião também significa revisitar a própria relação com o artista. As lembranças começam na infância, quando ouviu Michael pela primeira vez, e passam até pela descoberta de um dos movimentos mais conhecidos da cultura pop.
“Volto ao passado e me lembro do momento que ganhei meu primeiro disco do Michael, de quando escutei sua música pela primeira vez e até da primeira vez que fiz o moonwalk. Com certeza vai ser uma noite muito especial”, diz.

A conexão com o público é outro elemento que acompanha a trajetória do espetáculo. “This Is Michael” já passou por mais de 25 países, e Lenny percebe diferenças claras na maneira como cada plateia reage à homenagem.
Segundo ele, os fãs da América Latina costumam viver os shows com uma intensidade especial, cantando, dançando e se emocionando. Uma dessas experiências aconteceu na Costa Rica e permanece entre as memórias mais marcantes de sua carreira. “Uma criança subiu correndo ao palco já quase no final do show e me abraçou dizendo ‘I love you Michael’. O público todo se emocionou”, relembra.
Para Lenny, momentos como esse ajudam a explicar por que continua dedicando tanto tempo à homenagem. “Nesses momentos você tem a certeza que todo o esforço e dedicação valeram a pena”, afirma.
O legado que não envelhece
Mais de uma década após a morte de Michael Jackson, sua influência continua aparecendo na música pop, nos grandes shows e na maneira como artistas constroem suas performances.
Para Lenny, esse talvez seja um dos maiores sinais da dimensão do legado deixado pelo cantor. “Hoje em dia não se escuta uma música do gênero pop que não seja influenciada por sua obra. A maneira como ele apresentava os shows, figurinos, coreografias, tudo isso segue sendo inspiração para artistas da atualidade”, destaca.
E existe ainda algo que, para ele, vai além da influência estética. A mensagem presente nas músicas de Michael continua encontrando espaço em novas gerações, mesmo entre pessoas que não viveram o auge de sua carreira.
“Sua música tem algo mágico, sua mensagem continua viva e atual e isso faz com que ela ultrapasse barreiras de gênero, etnias e etárias como nenhum outro artista jamais o fez”, conclui Lenny.
