A Deezer revelou um novo retrato do impacto da inteligência artificial na indústria da música. Pela primeira vez, as faixas geradas por IA passaram a representar mais de 50% de todos os novos uploads diários na plataforma, alcançando um pico de 90 mil músicas enviadas por dia durante o mês de junho.
Diante desse crescimento, a empresa anunciou uma série de medidas para reforçar o combate às fraudes em streaming e proteger artistas e compositores.
Segundo Alexis Lanternier, CEO da Deezer, o aumento acelerado da produção de músicas sintéticas exige novas ações por parte das plataformas.
“Há quase dois anos, a Deezer está na linha de frente do combate à fraude e da redução da diluição de pagamentos relacionada à música gerada por Inteligência Artificial. Agora que metade de todos os uploads diários são faixas geradas por IA, estamos tomando medidas adicionais para proteger os direitos de artistas e compositores, mantendo o foco na música que os fãs realmente amam.”
Entre as novidades, a Deezer informou que passará a remover sistematicamente músicas geradas por inteligência artificial utilizadas para inflar reproduções de forma fraudulenta. Além disso, faixas criadas por IA que permanecerem sem nenhuma reprodução por pelo menos seis meses também serão excluídas da plataforma.
A empresa já vinha adotando medidas para lidar com esse tipo de conteúdo. Desde o início de 2025, a Deezer utiliza uma ferramenta proprietária de detecção de músicas geradas por inteligência artificial, capaz de identificar essas faixas e excluí-las das recomendações algorítmicas e editoriais.
Em junho de 2026, a plataforma deu mais um passo ao se tornar a primeira do setor a identificar explicitamente músicas criadas por IA, adicionando etiquetas específicas para informar os usuários sobre a origem desse conteúdo.
Para Lanternier, o momento representa um ponto decisivo para toda a indústria musical.
“Chegamos a um momento crucial, mas temos a tecnologia para acompanhar esse desenvolvimento e a ambição de fazer o que é certo. Se a indústria conseguir se alinhar em torno de padrões comuns, poderemos construir um ecossistema musical mais saudável e sustentável, no qual a boa música seja o que prevalece.”
