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Antes de desembarcar no Brasil, Pomme fala sobre o país: “me disseram que são as pessoas mais bonitas do mundo”

A cantora e compositora francesa, conhecida pela delicadeza das suas letras e pelo minimalismo musical, conversa com o Conexão Pop sobre carreira, expectativas para o público brasileiro e o que esperar do show em maio.
Alexandre SantosAlexandre Santos4 de maio de 2026
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Claire Pommet, conhecida artisticamente como Pomme, é uma das vozes mais singulares da música francesa contemporânea. Natural de Lyon, ela começou a lançar músicas aos 18 anos e construiu ao longo de mais de uma década uma discografia marcada pela intimidade, pela sensibilidade poética e por um som que transita entre o folk, o indie e o pop minimalista.

Diferente de muitas artistas da sua geração, Pomme foi resistindo às pressões da indústria e encontrando, aos poucos, sua própria linguagem. Seu primeiro álbum foi moldado por influências externas e pelo desejo da gravadora de transformá-la em uma pop star aos moldes franceses. Com o tempo, ela passou a escrever e compor todas as suas músicas, desenvolvendo um estilo que hoje é inconfundível: voz delicada, arranjos que respiram e letras que falam de emoções difíceis de colocar em palavras.

Apesar de nunca ter se apresentado no Brasil, Pomme acumula uma base de fãs brasileiros fiel há anos, muito antes de sua fama se consolidar na França. Neste mês, ela desembarca no Brasil pela primeira vez em maio, e a expectativa da artista para o encontro com o público brasileiro é grande. Ingressos disponíveis em Tickets for Fun.

Em entrevista exclusiva ao Conexão Pop, ela falou sobre a evolução da sua carreira, o processo criativo por trás das suas músicas e o que os fãs podem esperar do show.

Sua música tem uma sensibilidade muito íntima e emocional. Como você enxerga a evolução do seu som desde os primeiros trabalhos até agora?

Faz muito tempo que comecei e lancei meu primeiro álbum. Evoluiu bastante. Comecei a fazer e lançar músicas quando tinha 18 ou 19 anos, e agora estou chegando aos 30. Foram mais de dez anos. No começo, eu não sabia bem o que queria fazer porque era muito jovem e estava muito influenciada pelo que as pessoas ao redor me aconselhavam. As pessoas da gravadora queriam que eu fosse uma pop star francesa, mas eu não era muito chegada ao pop. Eu ouvia folk, coisas minimalistas, indie. Meu primeiro álbum não me representava de verdade. Eu cantava músicas que outras pessoas escreviam para mim, porque a gravadora achava melhor assim. Hoje faz muito tempo que escrevo e componho tudo. Acho que desenvolvi confiança ao longo dos anos e aprendi a me conhecer, a fazer a música que realmente quero e que está conectada às minhas emoções.

Os fãs se conectam muito pessoalmente com as suas letras. De onde vem esse processo criativo?

Sou uma pessoa muito feliz na maior parte do tempo, mas só escrevo sobre coisas tristes, porque é a única forma que encontro de expressar o que não consigo dizer de outro jeito. Sou uma pessoa sensível, ansiosa, que vive muito dentro da própria cabeça, e colocar isso em palavras humanas é muito difícil para mim. Nunca fui aquela pessoa que consegue dizer “me sinto assim por causa disso”. Então sempre usei a arte e as músicas como uma língua própria. Geralmente fico meses trabalhando, fazendo turnê, viajando, sem ter tempo para escrever. Quando finalmente me isolo, quase sempre em contato com a natureza, as músicas saem aos montes. Tudo o que não consegui expressar por meses vira canção.

Seu último álbum foi muito inspirado pela natureza e pelas estações do ano. Como foi essa mudança de perspectiva?

Nos trabalhos anteriores eu escrevia muito sobre as minhas emoções. No último álbum eu quis ser mais espectadora do que protagonista. Ele foi inspirado pela natureza, pelas estações, por aprender a ir mais devagar. E no próximo, que já gravei e deve sair em breve, acho que é uma mistura dos dois: falo sobre coisas que vejo e também sobre coisas que sinto.

Esta é sua primeira vez no Brasil. O que você espera do público brasileiro?

Ouvi dizer que o público brasileiro é incrível. E também me disseram que são as pessoas mais bonitas do mundo, então estou muito animada para confirmar isso com os próprios olhos. Mas sério, faz anos que as pessoas comentam nas redes sociais pedindo para eu vir. Antes mesmo de ser famosa na França, brasileiros já pediam. Eu ficava pensando: é uma brincadeira ou é real? Mal posso esperar para conhecer as pessoas. Parece que vocês são muito abertos e acolhedores, especialmente para a comunidade queer. E também quero comer bem e caminhar pela cidade.

Você tem alguma referência da música brasileira?

Infelizmente, não muito. Conheço bossa nova, que é o óbvio. Tenho uma amiga de infância cuja mãe é brasileira, mas a minha conexão com a cultura do país ainda é pequena. Estou completamente aberta a novas descobertas.

O que o público pode esperar do show?

Vai ser uma experiência muito íntima. Só eu, meu violão, piano e voz, exatamente como componho as músicas. É a forma mais verdadeira de me apresentar. Mas também é muito interativo. Adoro conversar com o público, fazer piadas. Minhas músicas são muito tristes, então entre uma e outra eu gosto de trazer leveza. Esse contraste é muito bonito para mim. E às vezes choro no palco, porque na vida real quase nunca choro, mas cantar no palco me permite expressar o que normalmente não consigo. Também criei um espetáculo de luz especialmente para a América Latina, algo que nunca fiz antes. E depois do show pretendo vender o merch eu mesma na saída, para encontrar todo mundo.

Você já sabe que o público brasileiro canta junto muito alto?

Adoro quando as pessoas cantam comigo. Quando estou sozinha no palco e a plateia toda canta junto, parece que tenho um coral enorme na minha frente. É sempre mágico. Espero muito que as pessoas cantem.

cantora francesa música indie Pomme show Brasil 2026
Alexandre Santos
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Tenho 25 anos, sou repórter, publicitário e obcecado pela cultura pop.

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