Por mais de três décadas, o Deftones foi muito mais do que um nome importante do metal alternativo, a banda se consolidou como visionária dentro do gênero.
O quarteto vencedor de prêmio GRAMMY, formado por Chino Moreno (vocais), Stephen Carpenter (guitarra), Frank Delgado (turntables e teclados) e Abe Cunningham (bateria), construiu um espaço próprio durante os anos em que o gênero musical nu metal dominava. 36 anos depois, o 10º álbum da banda mostra que eles continuam sendo inovadores.
Marcado para 22 de agosto, private music é o primeiro lançamento do Deftones em cinco anos, após Ohms (2020). Produzido novamente por Nick Raskulinecz, parceiro de longa data, o disco mergulha em um território sonoro que eles vêm lapidando há décadas. Dois singles já deram uma amostra dessa versatilidade: “My Mind Is A Mountain”, que resgata o peso das origens, e “Milk Of The Madonna”, que traz guitarras shoegaze, bateria pulsante e a voz de Chino oscilando entre suavidade e agressividade.
Segundo comunicado oficial, o álbum reflete sobre a “beleza e o perigo da natureza, o desafio de cultivar uma mentalidade positiva e visões de uma jornada além do plano físico”. A descrição define o trabalho como “ao mesmo tempo uma viagem psicodélica e um impacto devastador”, mais um ponto alto em uma discografia marcada por muita intensidade e emoção.
Conheça a trajetória do Deftones
Nascido nos subúrbios de Sacramento no fim dos anos 1990, o Deftones logo se destacou ao misturar agressividade com atmosfera. As influências iam de Bad Brains e Metallica a Depeche Mode e The Smiths, passando por funk e hip-hop. Essa mistura permitiu criar um som visceral e hipnótico.
O álbum de estreia, Adrenaline (1995), foi essencial no movimento nu metal, com riffs graves, batidas inspiradas no rap e vocais de Chino Moreno que iam de gritos viscerais a sussurros melódicos. Já Around the Fur (1997) e White Pony (2000) consolidaram o nome da banda. O primeiro trouxe o sucesso comercial e a introdução de texturas shoegaze, enquanto o segundo mergulhou de vez em experimentações sonoras, abrindo espaço para sintetizadores, letras surreais e novas dinâmicas.
Ao longo dos anos seguintes, o grupo nunca parou de evoluir:
- Deftones (2003) trouxe de volta o peso metálico.
- Saturday Night Wrist (2006) refletiu as tensões internas do grupo.
- Diamond Eyes (2010) marcou um renascimento após a morte do baixista Chi Cheng.
- Koi No Yokan (2012) uniu peso e melodia de forma coesa.
- Gore (2016) inovou com dissonâncias e escolhas imprevisíveis.
- Ohms (2020) foi uma volta às raízes do metal alternativo, em parceria novamente com Terry Date, produtor dos primeiros discos.
Agora, com private music, o Deftones reafirma seu papel como mestres em equilibrar delicadeza e brutalidade.
5 músicas essenciais para entrar no universo do Deftones
“Be Quiet and Drive (Far Away)” (Around the Fur, 1997)
Uma das faixas mais cinematográficas da banda, abre com guitarras distorcidas e mergulha em uma atmosfera shoegaze. Em “Be Quiet and Drive”, Chino canta sobre desejo de fuga e desaparecimento. A canção consolidou a dinâmica de silêncio e explosão que se tornou marca registrada do Deftones.
“Change (In the House of Flies)” (White Pony, 2000)
Primeiro single de White Pony, “Change (In the House of Flies)” mostra a banda em seu auge criativo. Atmosférica e hipnótica, com baixo pulsante e guitarras assombrosas, a faixa traz Chino em uma interpretação contida e poética: “I watched you change/ Into a fly/ I looked away/ You were on fire”. A faixa se tornou o maior sucesso comercial do grupo, consolidando a reputação da banda como camaleões do metal alternativo.
“Cherry Waves” (Saturday Night Wrist, 2006)
Mais lenta e melancólica, “Cherry Waves” traz guitarras cristalinas e baixo marcante de Chi Cheng. A vulnerabilidade de Moreno se destaca em vocais delicados, transmitindo devastação silenciosa. É uma prova de que o peso do Deftones não está apenas no volume, mas também na emoção.
“Beauty School” (Diamond Eyes, 2010)
Com bateria ritmada e guitarras afiadas, a “música “Beauty School” revela a influência do hip-hop. O refrão expansivo e as letras vívidas de Moreno: “Your shooting stars from the barrel of your eyes/ It drives me wild”, dão à faixa uma aura de alucinação.
“My Mind Is A Mountain” (private music, 2025)
O primeiro single do novo álbum, representa um retorno às raízes do Deftones com um acabamento moderno. Guitarras pesadas, bateria pulsante e vocais que transitam entre delicadeza e intensidade criam uma atmosfera poderosa.
Em março, Deftones se apresenta no Lollapalooza Brasil 2025. Veja o line up completo!
